Vida Saudável Depois dos 65: Um Caso de Hipocondria Portuguesa?

O Eurostat publicou os resultados de um estudo sobre a vida saudável a partir dos 65 anos e a expetativa de vida, também a partir dessa idade. O leitor adivinha que a União Europeia (UE) está preocupada com o pagamento das reformas. Mas, como há-de ter mais 65 anos ou já os  tem, o que segue talvez lhe interesse também para a sua vida pessoal.

A vida saudável depois dos 65 anos consiste em poder fazer a vida normal e o valor para as mulheres que consta do gráfico acima é obtido mediante inquéritos de opinião: é uma apreciação subjetiva do futuro. A coluna cor de vinho mede o eixo pessimismo-otimismo sobre a saúde depois dos 65. É a diferença entre a expetativa de vida naquela idade e perceção que o respondente da sua saúde depois dos 65: se a expetativa de vida for alta e o respondente achar que não será saudável, o saldo será alto. Embora O Economista Português  só tenha trabalhado os dados relativos a mulheres, as conclusões seguintes parecem aplicar-se também aos  hom ens.Portugal é o segundo país mais pessimista: só os eslovacos nos batem. Os suecos são os mais otimistas.

A expetativa de vida aos 65 anos é um dado objetivo, calculado pelos demógrafos: se o leitor é português e tem 65 anos, tem mais 20,6 anos para viver. É uma medida semelhante à expetativa de vida às nascença, que é mais usual. O mais curioso é que Portugal tem uma expetativa de vida aos 65 anos muito melhor do que a nossa autoclassificação subjetiva: estamos um pouco abaixo do meio da tabela – mas, por exemplo,  bastante acima dos  dinamarqueses, os segundos mais otimistas. Ou somos biologicamente inferiores, pelo menos do ponto de vista da saúde depois dos 65, ou somos hipocondríacos. Se formos hipocondríacos, temos muita saúde depois dos 65, mas  julgamos que não temos. «Mulher doente, mulher para sempre»?

Contudo, o Serviço Nacional de Saúde deve responder porque morremos tão jovens em termos comparativos – se  somos tão bons a eliminar a mortalidade infantil, estamos a falhar na mortalidade tardia. Será para assegurar a sustentabilidade financeira do Serviço Nacional de Saúde? Porque portugueses mortos depois dos 65 anos de idade de certeza não podem levar uma vida saudável.

O estudo e os dados do gráfico estão disponíveis em

http://epp.eurostat.ec.europa.eu/cache/ITY_PUBLIC/3-19042012-AP/EN/3-19042012-AP-EN.PDF

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