Merkel em Lisboa: Noves Fora Nada

O yield da nossa dívida, significando que temos que pagar mais pelo mesmo capital, subiu no dia da visita da chancelarina Merkel

Excluídos os elementos anedóticos – a visitante foi ocultada da população recorrendo às técnicas da Alemanha comunista, a nosso residência oficial para chefes de governo estrangeiros passou a ser um forte filipino – , a visita da Chancelarina Merkel a Portugal foi «só fumaça». Com efeito:

  • Não anunciou novos investimentos alemães em Portugal, exceto três ícones, nem liberdade de imigração para a Alemanha;
  • Não anunciou melhorias sobre o inquietante futuro da Autoeuropa: a sua competividade apenas depende dos salários, revelou um vogal do conselho de administração da Volkswagen, o Sr. Hubert Waltl, o que é condená-la ao fecho quando os seus empregados receberem melhor pagamento;
  • Não anunciou redução dos juros da dívida portuguesa – ou nova redução, se a União Europeia já tiver cumprido as suas promessas e isso não nos tiver sido comunicado.

A Chancelarina Merkel prometeu-nos por via televisiva que nos seria paga a sexta fatia do empréstimo da troika – apesar de estar ainda em curso a 6ª visita de inspeção ao semiprotetorado do sudoeste europeu. Esta promessa revela a insuspeita vontade de a Srª Merkel passar a ser colaboradora do Avante!, o jornal do PCP: com efeito, é este partido que acusa os economistas burgueses  de serem a voz do dono e vigarizarem os cidadãos.  A chancelarina promete pagar antes do parecer técnico-económico que face à lei é condição desse pagamento. Cumprir o acordo com a troika não depende dos números, depende da vontade da Chancelarina. Que designação lhe devemos dar a ela e aos economistas de serviço externo em Lisboa? A dona e a voz da dona?

A promessa mostra apenas que a Srª Merkel veio em Portugal em campanha eleitoral – não vimos na imprensa alemã relato do anúncio dessa benemerência – e apoiar um dos seus últimos aliados, o Dr. Passos Coelho.  As sondagens revelerão se esse apoio foi produtivo ou contraproducente. Para Portugal já começou a ser mau: na imprensa europeia, a cobertura fotográfica da visita assimila-nos à Grécia. Era previsível e nem foi preciso grande esforço dos manifestantes. Até hoje, dos semiprotetorados, só a Irlanda teve o bom senso financeiro de evitar a visita da Srª Merkel – exceto como turista, qualidade em que seria e será sempre benvinda, de preferência com o marido.

Mesmo a Grécia teve uma promessa idêntica. Essa promessa vem no contexto de mais cinco anos de prometida austeridade, toda ela para a nossa também prometida «felicidade». Mas a promessa não é feita por facto nosso e no fundo de pouco ou nada nos serve: a Srª Merkel só atenuará a austeridade que baste para o Euro não rebentar, por isso lhe prejudicar a campanha eleitoral. O que já sabíamos. Tínhamos bem escusado tanta despesa com esta visita que apenas nos serviu para sabermos que … a Srª Merkel está a trabalhar para ganhar as próximas eleições alemãs. O nosso custo com a visita será ainda mais apimentado se, como sugeriam os telejornais da hora do jantar,  o governo quiser privatizar aos alemães a preços de amigo certas empresas públicas em rampa de tobogan. Esperemos que tenha sido só vontade de acertar dos jornalistas, sem consequências.

Por certo encorajado pela perceção sensorial da Madrinha, o Sr. Primeiro Ministro aproveitou o ensejo para dar um forte ralhete aos portugueses,  por não estarmos à altura dos seus erros e dos erros dos seus antecessores. Corajosíssima e curiosíssima objurgatória! Insultando os cidadãos eleitores, o Dr. Coelho revela não estar em campanha eleitoral o que sugere não ter sido informado dos rumores que dão o Sr. Presidente da República por adquirido à tese da antecipação das eleições.

One response to “Merkel em Lisboa: Noves Fora Nada

  1. Tudo isto, Sr Economista, além de cheirar a vigarice, é também um insulto à intelegencia do povo portugues que não pertence á máfia….