O «quantitative easing» é inútil para o crescimento económico?

quantitative EasingDavid Miles e Jochen Schanz, funcionários do Banco de Inglaterra, o banco central britânico, publicaram na passada segunda-feira um estudo no qual afirmam, na base da aplicação de um complexo modelo matematizado, que um prudente casal britânico não varia a sua carteira de títulos em função do quantitative easing, isto é das compras de ações e obrigações privadas efetuadas no mercado pelo banco central; o que conta para este efeito é o fisco. Ora a teoria é que aquelas compras aceleram a atividade económica, pois baixam o juro e estimulam a procura. Se os lares não mudam o seu perfil de investimento, o quantitative easing é vagamente inútil.  A conclusão deste estudo (que os autores aliás apenas insinuam)  é óbvia: se o quantitative easing diminuir, nem por isso diminuirá a atividade económica; logo ele é desnecessário. A conclusão é não só óbvia como de atualidade, pois essa diminuição está na ordem do dia nos Estados Unidos e na Grã Bretanha.

Contudo, a conclusão é discutível:

  • O quantitative easing foi concebido para as empresas e não para os lares; ora o estudo é omisso sobre as empresas; em relação às empresas, por exemplo, o pressuposto da prudência, não colhe – e os autores aplicam-na aos lares;
  • O quantitative easing aumenta a liquidez da economia; se essa liquidez não é aplicada pelos lares na compra de ações ou obrigações, pode ter dois caminhos: sair do circuito económico do país em causa (os beneficiários depositam o dinheiro num asiático) e nesse caso não tem efeito sobre a economia em causa, exceto indiretos;  ou, se fica no circuito económico, terá efeitos, que o estudo em causa não determina; talvez entre eles esteja o crescimento económico – ou apenas o aumento do consumo.
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  • O estudo está disponível em
  • http://www.bankofengland.co.uk/research/Documents/externalmpcpapers/extmpcpaper0041.pdf
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