O Governo quer levar a Banca à Falência?

exibicionistaO Eurostat voltou a mudar as regras da contabilidade nacional, o SEC 2010.  Uma das mudanças obriga a banca reservar mais capitais próprios para os impostos em dívida. Essa mudança aplica-se também em Itália e Espanha, que já resolveram a questão, mas em Portugal o Governo prefere levar os bancos à falência a diminuir a sua certeza que lhes cobrará impostos, pretextando que, a não ser assim,  aumentará o défice do Estado. Como se tivesse sido essa a solução em Espanha em Itália.

A mudança do Eurostat resulta da transposição de Basileia III através da CRD IV (Capital Requirements Directive), que visa aumentar os capitais próprios da banca. O Economista Português sempre considerou esta diretiva a filha de uma ilusão de ótica. Com efeito, a banca europeia tem dois problemas: a estagnação económica e o sufoco dos derivados que subscreveu quando acreditava a alta das bolsas seria eterna como a Santíssima Trindade. Forçá-la a aumentar os capitais próprios agrava a estagnação económica e será sempre insuficiente para lhe permitir pagar os derivados. Por isso, o remédio é pior do que a doença. A banca portuguesa padece de uma desgraça adicional: o baixo rating internacional do Estado português, que lhe dificulta e encarece a obtenção de capitais, próprios ou alheios; por isso, daqui até setembro, não conseguirá os capitais próprios necessários para satisfazer a exigência resultante da aliança do governo português com o Eurostat.

Ontem começou a queda do BCP. Continuará? Outros se seguirão? O governo português conserva o hábito sádico de nos fazer sofrer, para não ter que bater o pé aos nossos credores. Desse ponto de vista é coerente:  é tão sádico para os pensionistas como  para a banca. Que o Bloco de Esquerda perdoe a’O Economista Português o pensamento sacrílego contido na frase anterior.

Anúncios

Os comentários estão fechados.