O Dr. Passos Coelho adere às Teses d’ O Economista Português

PassosCoelhoSábado  passado, após o anúncio da sua vitória no escrutínio interno do PSD , o Dr. Passos Coelho afirmou que alguns dos cortes operados pelo seu governo serão «transitórios» e acrescentou:  «O que nós sabemos é que não regressaremos àquilo que eram os níveis de riqueza ilusória que tivemos antes da crise em 2011».

O Dr. Passos Coelho produz o discurso da dupla negativa. É um discurso suscetível de diversas interpretações. Com efeito, a primeira negativa diz-nos que os cortes não são definitivos, mas não nos diz quando desaparecerão nem quais desaparecerão. A segunda negativa é mais inquietante porque promete-nos que ficaremos pior, mas não nos diz quanto pioraremos. Aliás, o Sr. Primeiro Ministro parece supor que os funcionários públicos recebiam vencimentos ilusórios e os pensionistas pensões ilusórias. Neste particular, está enganado: recebiam remunerações reais e sofrem hoje cortes reais. O mesmo se diga dos impostos que todos pagamos: são hoje mais elevados na realidade e O Economista Português não sofre de ilusão alguma quando o afirma.

Ao negar a suposta ilusão, o Sr. Primeiro Ministro  autoriza-nos a pensar que ficaremos sempre pior do que em 2011.  O Economista Português tem sustentado que a política do atual governo gera um empobrecimento permanente de Portugal, pois a taxa de câmbio do euro prejudica-nos e o pagamento obsessivo aos credores arruina-nos; por isso, vê com agrado que o Sr. Primeiro Ministro acabou por reconhecer o bem fundado desta análise e promete-nos um futuro indefinidamente negro.

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