Em Portugal uns 80% dos Concursos públicos são corrutos, sugere uma Sondagem da União Europeia

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Ontem O Economista Português revelou que 42% dos empresários portugueses queixavam-se da corrução nos concursos públicos, e outros processos de compra pelo Estado.

Alguns leitores pensaram que eram corrutas cerca de 42% das compras públicas. Pensando um pouco, é fácil ver que oas compras públicas corrutas são numa proporção bem maior. Com efeito, a pergunta a que os empresários respondiam era: «Nos últimos três anos, a corrução impediu  a sua empresa de ganhar um concurso público ou um processo de compra pelo Estado?» Ora  a amostra de empresários foi constituída sem que à partida fosse conhecido se os empresários inquiridos tinham ganho o concurso graças à corrução (que aliás podiam ter sido forçados a praticar os atos de corrução: «se não me dás x, não te adjudico a obra»). Aqueles 42% de empresários queixosos incluem apenas os que perderam os concursos devido á corrução – mas não incluem os que ganharam esses concursos devido à corrução: estes nunca dirão que foram prejudicados.  Se supusermos que a amostra de emrpesarios é representativa de todoas as compras estatais, para conhecermos o número dos concursos corrutos devemos somar os empresários prejudicados (42%, segundo a sondagem) e os empresários beneficiados (mais 42%, segundo a lógica). Isto é: 84%, descontadas as margens de erro estatístico.

Aqueles 84% são válidos para o caso de nos processos de aquisição pública haver dois concorrentes, e só dois concorrentes: um ganha e o outro perde. Será esta a situação mais freequente, mas não é a única; se houver três concorrentes, há em abstrato pelo menos dois potenciais queixosos da corrução por cada concurso – o que baixa o valor dos 80%, acima referido. Se conhecessemos a distribuição dos concorrentes aos concursos públicos estaríamos sempre  em abstrato habilitados a calcular a proporção de concursos viciados. Mas só em abstrato: em muitos casos, o terceiro concorrente é um concorrente de favor, para impor uma decisão. Para destrinçarmos o terceiro candidato autêntico do fingido, teríamos que proceder a milhares de inquérito, obviamente inviáveis.  Por isso, é verosímil a hipótese de dois e só dois candidatos por concurso.  Em sentido oposto à reserva anterior, vai o valor dos 8% de empresários que não sabem ou não respondem: entre estes alinharaão alguns que pertencem a empresas que se queixam de serem vítimas da corrução, só que os respondentes ignora; haverá cerca de três pontos percentuais adicionais, se a proporção for a mesma do conjunto da amostra de empresários inquiridos.

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