Empréstimo de Ontem: Está por provar que foi um Êxito

Charlot no PenhoristaPortugal em plena gestão da sua dívida pública

Portugal emitiu ontem dívida no valor de três mil milhões de euros, a dez anos, ao juro de 5,111%, 3,2 pontos percentuais acima da taxa de referência, o que é uma taxa de risco elevada. O empréstimo foi colocado no mercado por um sindicato bancário e atraiu uma procura mais de três vezes superior.

O empréstimo foi subscrito sobretudo por estrangeiros (82%),  mas a proporção deles está a diminuir. Nos compradores por países nota-se a retração dos capitais alemães.

O empréstimo foi um êxito?  Vejamos vários aspetos.

Uma resposta completa é impossível pois ignoramos as condições negociadas entre o governo e o sindicato bancário. A comissão foi tão alta que inclua um prémio de risco? A emissão foi colocada abaixo do par, isto é, os títulos de dívida foram vendidos com desconto? O Economista Português ainda não obteve resposta a esta questão.

A taxa de juro é menos meio ponto percentual do que no último empréstimo a dez anos mas a procura foi menor, ainda que confortável, e os compradores pertencem mais ao segmento que joga arriscado do que ao habitual comprador da dívida pública: as seguradoras e fundos de pensões reduziram a sua participação na subscrição, ao passo que os hedge funds e bancos aumentaram-na e têm a parte do leão.

A nossa taxa de juro é elevada em termos de mercado. A Eslovénia emitiu ontem dois mil milhões de dívida também a dez anos e pagou de juro 5,4800%, apenas 0,3 acima do nosso juro – o seu risco é menor do que o nosso, pois a sua dívida é apenas 54% do PIB (embora em crescimento acelerado), e a previsão seu déficte orçamental em 2014 atinge 15%, na sequência do resgate dos bancos eslovenos. Comparados com a Eslovénia, continuamos a perder a batalha psicológica no mercado financeiro.

A taxa de juro é insustentável pela economia portuguesa. O Dr. António José Seguro declarou isso mesmo e O Economista Português felicita-o por essa posição, que aliás não tomara anteriormente em ocasiões paralelas.

Julgando pelo critério da taxa de juro, a operação de ontem não foi um êxito, apesar de termos patentemente beneficiado do otimismo que o mercado continua a manifestar. É mais preocupante sabermos que o  governo continuará a emitir dívida sem ter divulgado nenhuma meta para os juros que considera aceitáveis  e respetivo escalonamento temporal. Com este juro e o atual crescimento do PIB, só conseguiremos pagar a nova dívida se continuarmos a diminuir o nosso nível de vidaContinuamos a ir ao penhorista e a felicitarmo-nos por isso. 

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