É o Apoio do PS ao Governo que permite baixar o IRS?

DraghiAcima: foto do responsável político que o Dr. Passos Coelho deve desafiar para evitar o agravemento da crise

No Parlamento, no final da semana passada, o Dr. Passos Coelho disse ao PS algo do género:  se não apoiarem os esforços governamentais, o nosso regresso aos mercados está ameaçado. Este desafio é apoiado numa propaganda que dá por resolvida a crise económico-financeira, pois regressámos ao mercado financeiro com um novo empréstimo a dez anos (os comentadores oficiosos não dizem que regressámos com um juro insustentável) e voltámos ao crescimento do PIB (os comentadores oficiosos não dizem que voltámos em larga medida devido ao Tribunal Constitucional). Neste clima de euforia, o governo já fala em baixar o IRS, entre outras benfeitorias com que nos ameaça.

O desafio e a euforia não seriam graves se fossem apenas a habitual propaganda eleitoral. Só que o desafio e a euforia revelam que governo não compreende a natureza e a gravidade da crise que continuamos a viver – e, tal como o governo, as oposições assim como a opinião pública vivem na mesma ignorância, uma ignorância pós virginal e perigosa para a espinal medula.

Portugal regressa aos mercados financeiros, em condições ruinosas, porque o Sr. Draghi, governador do Banco Central Europeu (acima na foto), deu a célebre garantia «pago tudo».  Essa garantia teve um papel decisivo na instauração do clima de boa disposição financeira internacional. Sem ela, Portugal, com os atuais indicadores, e pesar de todos os nossos esforços, regressaria ao mercado financeiro mas com juros usurários. Assim, regressa com juros ruinosos. Regressa com o aplauso do PS ou sem ele. Convém que não nos iludamos a esse respeito.

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