Ucrânia: Media e Políticos aumentam a Probabilidade de Guerra na Europa

UcrâniaGuardianThe Guardian é um jornal de qualidade que, para defender a liberdade,  sacrifica a paz; ou terá alguma caixa anunciando a invasão da Rússia pela Ucrânia? Porque Putin já ocupou a Crimeia e, de momento, parece estar satisfeito com essa brilhante operação militar. The Guardian perdeu a cabeça com a Ucrânia. Não é caso único. A propósito daquele país, o leitor está a ser submetido a uma nova campanha internacional de intoxicação, que lembra a dos misseis de Saddam Hussein, o autocrata do Iraque: era mentira, ele não tinha mísseis, mas o argumento serviu para assustar os britânicos e assim para justificar a guerra. Agora o risco de guerra é mais perto.

As declarações dos políticos são mais graves: sexta feira passada, a chancelarina Merkel declarou-se «inquieta» com a situação na Crimeia. Como julga os leitores que essa «inquietação» foi entendida pelos ucranianos? Como apelo á calma? Como sugestão de negociação? O governo de Kiev interpretou-a chamando os seus reservistas às fileiras para responder ao que considera ser uma declaração de guerra da Rússia. A chancelarina continua assim a tática de aumentar as expetativas dos seus aliados ucranianos, tática que nos trouxe à preocupante situação atual, em vez de os aconselhar a negociarem de boa fé com os russos. Convém que o leitor tenha em conta que  a tática imposta à UE pela Srª Merkel é vista na Rússia como um ajuste de contas com a Segunda Guerra Mundial – digamos, para não deitar sal na ferida, como um apoio europeu aos netos do general Vlassov.

O Sr. Presidente da Comissão Europeia, falando sexta feira passada, não excluíu que a defesa da integridade territorial da Ucrância pusesse em risco a paz regional e mundial, o que só pode dever-se a distração e exige esclarecimento imediato: não podemos apoiar nenhuma ação ucraniana que, seja sob que pretexto for, ponha em causa a paz. Em Kiev não deve haver a menor dúvida a este respeito.

Os mercados não se preocuparão com o risco de guerra, pois sabem que o Presidente Obama não quer morrer pela Crimeia. Muitos ucranianos, infelizmente, parecem pensar que sim e prosseguem a escalada. Alguém deveria desenganá-los, já que não ouviram o secretário de Estado, John Kerry, excluir ontem em palavras terminantes a hipótese de recurso à força contra a Rússia.  

A escalada da intoxicação mediática apresenta um conflito complexo como resultado de uma causa única: a maldade do Presidente Putin. Ora a demonização da Rússia, estimulada pelo diretório europeu, tem um único risco: aumentar o risco de guerra. Risco de que a União Europeia não se sairá bem. Convém que chancelarias e mass media recuperem a serenidade enquanto é tempo. A solução do conflito passa por uma negociação de boa fé de Kiev com Moscovo e a demonização da Rússia exclui essa boa fé e preclude aquela negociação.

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