A Redistribuição do Rendimento favorece o Crescimento económico

FMICrescimentoERedistribuiçãoUm estudo do Fundo Monetário Internacional (FMI) demonstra que os países que redistribuem mais riqueza conhecem  maiores taxas de crescimento. Esta conclusão está ilustrada no gráfico acima: em coluna estão as taxas de crescimento e em linha a desigualdade medida pelo coeficiente de Gini, crescendo da origem para a direita.

Aquela conclusão é surpreendente: as instituições financeiras e a direita política tendem a sustentar que a redistribuição de rendimentos dos ricos para os pobres diminui os incentivos para o trabalho como para o capital e sem eles não há crescimento económico. Os sindicatos e a esquerda defendem em geral a posição oposta. «O FMI tornou-se social democrata», comentava ironicamente  Les Echos, um jornal económico francês. A redistribuição favorece o crescimento pois diminui a conflitualidade social e facilita o ajustamento a choques económicos externos, entre outras razões; ou seja, porque há motivações não económicas para trabalharmos e investirmos, ao contrário do que afirmam a teoria neoclássica e o liberalismo puro e duro.

O estudo do FMI, identificado no final do presente post, demonstra que o crescimento económico a médio prazo e a duração das fases de crescimento variam positivamente com a redistribuição. O estudo demonstra ainda que a redistribuição, quando já muito elevada, é prejudicial ao crescimento do PIB. Isto é: no campo das realidades económicas, a redistribuição umas vezes favorece o crescimento e noutras,  ao que parece menos frequentes, prejudica-o.

O estudo em causa foi o primeiro a recorrer a uma extensa base de dados distinguindo a desigualdade líquida, que mede a distribuição de rendimentos depois dos impostos e da segurança social, da desigualdade bruta, ou desigualdade de mercado, que mede a distribuição de rendimentos pagos aos fatores de produção e, portanto, antes  do imposto e da segurança social.

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Redistribution, Inequality, and Growth, de Jonathan D. Ostry, Andrew Berg e Charalambos G. Tsangarides, uma nota de discussão do pessoal do FMI, datada de fevereiro de 2014, está disponível em

http://www.imf.org/external/pubs/ft/sdn/2014/sdn1402.pdf

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