Eleições europeias: Socialistas a Favor dos Assalariados Ricos contra os Países pobres

O Economista Português começa hoje uma série de estudos ocasionais sobre programas económicos para as eleições do Parlamento europeu; incluiremos programas de partidos portugueses programas de partidos europeus.

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PESO Economista Português analisa hoje a dimensão económica do programa do Partido dos Socialistas Europeus, que leva o título pouco inovador «Para uma nova Europa».  Os seus três primeiros pontos são consagrados a questões económicas e financeiras.

  • O primeiro ponto é «prioridade ao emprego»; acentua o emprego jovem, até aos 30 anos, que parece dever ser subsidiado. Neste capítulo propõe-se promover «iniciativas ecológicas inovadoras», cuja relação com o emprego fica por esclarecer. Os socialistas europeus propõem-se aprovar «regras fortes para assegurar igualdade de salário para trabalho igual», proteger os direitos dos assalariados, «empregos de qualidade», «reforçar os direitos dos sindicatos, «melhorar a proteção dos assalariados enviados para o estrangeiro, revendo a respetiva diretiva, «introduzir em toda a Europa salários mínimos decentes»;
  • O segundo ponto é «relançar a economia»; para isso, propõe-se dar prioridade à inovação, pesquisa, formação profissional e «reindustrialização inteligente», que consiste em produzir para venda a partir de patentes geradas por universidades e pesquisadores europeus. O programa sugere sem grande clareza uma política orçamental expansionista. Sobre a mutualização das dívidas públicas, apenas e dito o seguinte: a União Europeia nos últimos cinco anos «mostrou a importância  de mutualizar as responsabilidades e os direitos na Eurozona».
  • O terceiro ponto é «colocar o setor financeiro ao serviço dos cidadãos e da economia real»; para isso, propõe-se regular mais a banca (sem mais especificações do que as seguintes), separar a banca de investimentos da de depósitos, acelerar a aplicação do Imposto sobre Transações Financeiras, estabelecer uma agência de rating europeia e  promover uma «forte União Bancária».

Os restantes sete pontos defendem outros aspetos do Estado Social, que imporá «limites» às liberdades económicas,  mais democracia, ecologia, e a maior projeção mundial da Europa.

O Economista Português julga que

  • O programa confunde as competências nacionais (salário mínimo, orçamento do Estado, por exemplo) com as competências federais europeias, o que lhe faz perder credibilidade;
  • A proteção ao assalariado restringe-se ao assalariado dos países ricos, pouco ou nada oferecendo aos dos países periféricos;
  • O estímulo à economia é um voto benvindo, mas esquece a oferta de moeda e o câmbio do Euro; não está bem fundamentado;
  • As palavras sobre a mutualização da dívida  nem chegam a um voto pio e estão muito abaixo das reivindicações portuguesas (e ao que parece das do PS, mas teremos que esperar pelo programa deste)
  • A dimensão financeira é sobretudo retórica.
  • O programa tem traços protecionistas e, do ponto de vista económico, esquece um pouco o que vai pelo mundo.
  •  O programa está disponível em
  •  
  • http://www.dn.pt/DNMultimedia/DOCS+PDFS/2014/manifestoPES.pdf

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