O Câmbio do Euro sobe para combater a Inflação ou para beneficiar os Países credores?

DívidaAmentaComDeflaçãoO Economista Português começa hoje por uma verdade simples mas esquecida pela nossa classe política e pelos nossos mass media: uma dívida aumenta se a moeda titulada aumenta de valor: se o Euro valia um dólar e passou a valer 1,03, quem tinha créditos em dólares e dívidas em Euros, perde 3%  com a variação; a moeda aumenta de valor quando os preços descem. Em simetria a dívida diminui quando a moeda em que está titulada diminui de valor: se o Euro conhecer uma  inflação interna de 3%, os devedores vêem automaticamente perdoado 3% do capital da dívida e os credores perdem essa mesma proporção. O gráfico acima ilustra uma situação desse tipo: o valor nominal da dívida mantém-se mas  varia o seu valor em termos reais (em termos de poder de compra). É esta uma das razões porque a Alemanha e o Banco Central Europeu (BCE) preferem que a massa monetária não cresça na Eurozona: o PIB decresce, ou cresce menos do que nos Estados Unidos, mas em termos reais os credores recebem o mesmo (ou mais) do que o que emprestaram.

A inflação mede a variação do valor interno de uma moeda. A sua taxa de câmbio mede-lhe o valor externo. Em mercados perfeitos, ambos seriam iguais e mesmo em mercados imperfeitos inflação e câmbio são uma imagem de espelho: inflação alta, câmbio baixo. Por isso, a política de restrição de crédito do BCE agrava o câmbio.  Em ambos os casos, são beneficiados os credores em euros.

Mas esta verdade é desagradável. É necessário embelezar a triste realidade. O Sr. Simon Nixon publicou ontem um artigo a defender o BCE e os credores da Eurozona: o BCE não aumenta o crédito não para beneficiar os credores – esta lógica distributiva nem é abordada – mas para obedecer a previsões que tornam desnecessário esse aumento. Isto é: a realidade é deflacionista mas as previsões são expansionistas. O Sr. Nixon também não se interroga sobre o valor das previsões, que para mais prevêem inversões  de tendência sem clara justificação.  No final do presente post, é publicado um gráfico desse artigo que sintetiza as tais previsões. O caráter propagandístico do artigo é claro: o seu autor nunca refere o PIB perdido pela Eurozona desde 2008, quando comparada por exemplo com os Estados Unidos. Este PIB nunca será recuperado.

UEPrevisões2014

Todo o  artigo do Sr. Nixon está disponível em

http://online.wsj.com/news/articles/SB10001424052702303795904579428932880135514?mg=reno64-wsj&url=http%3A%2F%2Fonline.wsj.com%2Farticle%2FSB10001424052702303795904579428932880135514.html

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