Manifesto dos 70: A Reestruturação da Dívida ganhou o seu lugar na Agenda política portuguesa

ManuelaFerreiraLeiteTVIReestruturação da dívida é reflexão para as eleições europeias

Manuela Ferreira Leite, uma das mais ilustres subscritoras do Manifesto dos 70, pela reestruturação da dívida, afirmou ontem no seu comentário na TVI que a sua atitude não é de «rebelião» nem «crítica ao Governo, mas sim de «reflexão» e lamentou o «tom crispado» em redor do assunto, «como se não estivéssemos em democracia». Mais defendeu que a questão deve ser debatida na campanha das eleições para o Parlamento Europeu.

Ferreira Leite tem razão. Numa democracia madura, o governo deixaria os cidadãos discutirem o problema da reestruturação e não tentaria silenciá-los, mediante o recurso serôdio à ameaçar de os remeter para as trevas exteriores se não pensarem pela cabeça ministerial. O facto de o Executivo não ter seguido este caminho teve consequências.  Com efeito, as reações oficiais transformaram um texto assinado por umas quantas cabeças pensantes no centro da agenda política nacional: o Primeiro Ministro atacou-o com excesso em duas ocasiões; o Presidente da República demitiu consultores – consultores, não agentes hierárquicos – revelando estarmos perante um assunto de Estado; e até a Comissão Europeia, agindo nas suas funções supletivas de governadorato do semiprotetorado, nos alertou que não estávamos autorizados a seguir aquele caminho. É mais um caso de efeitos perversos das ações humanas. Perversos no sentido de diferentes do desejado pelo actor.

A questão da reestruturação das dívida veio para ficar. Mesmo que o Partido Socialista se desinteresse dela.

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