Que leva o Dr. Passos Coelho a Berlim?

PassosCoelhoEMerkelMadrinhaSóReclamoDepoisdemeAutorizarCoelho: «Diga Madrinha, no plano financeiro…» Merkel: «Propões todos os dias um acordo ao PS para pagares as dívidas portuguesas, publicas e privadas»

É certo que o Sr. Primeiro Ministro irá hoje a Berlim encontrar a chancelarina Merkel. Para quê? Que dirá o Dr. Passos Coelho à Madrinha?

> Dir-lhe-á que tentou chegar a acordo com o PS mas não conseguiu, pois o Dr. António José Seguro afirmou-lhe ontgem «divergência insanável» sobre a política orçamental, isto é, sobre a austeridade, isto é sobre a obediência aos Diktate da Madrinha?

>> Dir-lhe-á que ignora como sair do programa da troika, e por isso não sabe se quer saída dita limpa ou plano cautelar?

>>> Dir-lhe-á que só nos próximos tempos ouvirá os partidos parlamentares sobre o Portugal no pós troika e por isso está sem política para o pós troika?

Uma cimeira é uma sucessão de não sei? Sem posição  sobre as questões cruciais, o Dr. Passos Coelho não pode apresentar propostas negociais. Se não vai a Berlim negociar, que vai lá fazer?

Em Berlim, o Dr Coelho tem sempre à mão o caminho de teorizar sobre o futuro da União europeia ou, se não tiver tido tempo para ensaiar esse número de alta escola, pode sempre dar «uma tunda desesperada no  bei de Tunes» (Eça de Queirós, Correspondência, 2008, I, p. 282). Hoje em dia, estas funções de bei de Tunes são preenchida pelo Sr. Putin.

O Dr. Coelho, porém, poupado como é, não quereria sobrecarregar o erário público  com uma sempre dispendiosa viagem a Berlim apenas para produzir a oratória que costuma aplicar ao inaugurar um turismo rural ou um curso de gestão hoteleira.

Não é difícil antecipar o que levou o nosso Primeiro Ministro a Berlim, apesar de não ter nenhuma posição negocial. O Dr. Passos Coelho foi a Berlim receber instruções  para a sua campanha eleitoral nas eleições europeias e para o pós troika. Receber instruções? Que ideia: foi «dialogar sobre o futuro da União Europeia no seu amplo amplexo e em cada uma das suas mais desatacadas componentes». Quererá isto dizer que a Srª Merkel lhe disse que somos livres de pagar as dívidas, com ou sem programa cautelar.

Mais logo o leitor verá se O Economista Português se enganou.

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