Ontem em S. Bento: O Jogo dos Disparates financeiros

Ontem tratou-se de finanças em S. Bento. Foi um verdadeiro jogo dos disparates.

  • Disparate 1 MariaLuísAlbuquerqueDealçasA Srª Ministra das Finanças foi falar à comissão parlamentar de Orçamento, Finanças e Administração Pública; disse: «Não é possível uma posição responsável sobre uma mutualização sem saber as contrapartidas». Como Drª Maria Luís Albuquerque sabe o que significa mutualização da dívida, O Economista Português tem que supor que aquela frase era a mangar com os deputados: mutualização é os países credores assumirem parte da dívida dos devedores; Portugal é dos maiores devedores; logo a mutualização em princípio beneficia-o; destas palavras da Drª Maria Luísa é possível deduzir que ela se tem por uma das piores negociadoras europeias, capaz de transformar a mutualização das dívidas num dano para o devedor – mas não terá ela percebido que a Alemanha recusa o princípio da mutualização e que nós queremos que a Alemanha proponha uma qualquer forma de mutualização para a levarmos a aceitar o princípio? Antes de 2025, já agora. Será que os senhores deputados das oposições se aperceberam que a Drª Maria Luís queria evitar à Alemanha a maçada de voltar a revelar que não é solidária connosco?
  • Disparate 2 OMilagreEconómicoO Dr. Passos Coelho declarou a semana passada que a nossa dívida pública era sustentável e para o efeito arrolou uns números; vários economistas consideraram que as suas contas estavam erradas (nenhum afirmou que estavam certas) e que o Dr. Coelho queria violar o Tratado Orçamental, ou violava-o sem o saber. Confrontada com as contas do Sr. Primeiro Ministro, que disse a Srª Ministra das Finanças?  «Seguramente o sr. primeiro-ministro não poderá ter sugerido, tem aliás dito o contrário várias vezes». Mas fugiu das contas como o diabo da cruz: preferiu asseverar-nos que a dívida era sustentável porque várias estudos secretos a declaravam sustentável e esqueceu-se que tinha um Primeiro Ministro, aliás seu antigo aluno, que em público contava de outro modo. Falando ontem em público, sem a vantagem de invocar estudos secretos que a atual Srª Ministra das Finanças a si mesmo se outorga, a Drª Manuela Ferreira Leite esclareceu: «Reduzir o peso da dívida para 60% do PIB [uma meta do Tratado Orçamental] implica a necessidade de um crescimento de 4% ao ano durante 20 anos e excedentes primários na ordem de 3% ao ano durante 20 anos. Considero isto inexequível».
  • Disparate 3PassosCoelhoOlhaParaOTeto O leitor continua em S. Bento mas muda de cenário: passamos para o debate quinzenal. Como leitor sabe, a União Europeia prepara-se para atacar a a banca portuguesa por ter muitas dívidas de empresas… portuguesas. Antecipando-se aos Diktate bruxelinos, já há por cá economistas amesendados pelo contribuinte a pedirem o fecho de bancos… portugueses. A semana passada, em entrevista ao Diário Económico, Leonardo Mathias, secretário de Estado adjunto do Ministro da Economia, sugeriu a criação de um veículo financeiro para limpar os balanços dos bancos.  A deputada Catarina Martins, do maior partido dos contribuintes, o Bloco dos Esmifrados (BE), pediu ao Sr. Primeiro Ministro garantia que «nenhum cêntimo do erário público será gasto para pagar perdas da banca», decorrentes do tal veículo. O Dr. Passos Coelho respondeu-lhe lesto: «Se há alguém que tenha tal intenção no Governo, não tenho conhecimento dela». O Dr. Passos Coelho, como O Economista Português escreveu, ignora o problema da dívida das empresas – além de ignorar a atividade do seu governo. Comentários para quê?
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