Jornadas do PSD em Viseu: O Dr. Passos Coelho ignora a Austeridade e defende os nossos Credores

PassosCoelhoPSDO Sr. Primeiro Ministro  revelou ontem mais uma curiosa atitude económica: intervindo na sessão de abertura das jornadas parlamentares do PSD, em Viseu, tomou a iniciativa de dizer que não sabe nem está interessado em saber se a vaga adicional de cortes orçamentais em 2015 será  1,5,  1,7,  2 ou 2,5 mil milhões de euros: «Confesso: não sei quanto é». Que formoso desinteresse pelos vis assuntos materiais! Que tocante espiritualidade!  É uma atitude bem diferente da que é infelizmente imposta à maioria dos portugueses que se preocupam em saber que salário receberão para o ano. Ao proferir aquelas palavras, o Dr. Passos Coelho  pensava apenas nos seus adversários socialistas, que o acusaram de ter uma agenda oculta de austeridade, irritou-se, esqueceu a habitual caraça humanitária e esqueceu os  portugueses. Desde que a Madrinha disse ao Dr. Coelho para partilhar a bola com o PS, ele já não é o que era.

Na ocasião, o Dr. Passos Coelho proferiu mais uma das suas habituais pérolas de teoria económica: «Ninguém aceitaria uma Europa em que uns poupam para que outros possam gastar». Sob a aparência de máxima de sábio da antiga Hélade, a frase é extraordinária. Ela revela que no seu afã retórico o Sr. Primeiro Ministro não reparou que os mais ricos emprestam duradouramente aos menos abonados (que lhes pagam os competentes juros e devolvem o capital). Revela também que o Dr. Coelho por certo ignora que em qualquer zona monetária  o banco emissor tem que emitir liquidez para alimentar toda a zona – e que essa liqidez é crédito, isto é, empréstimos, sempre gastos pelos suspeitos do costume: os empresários e cidadãos de menores rendimentos. Naquela frase, o Sr. Primeiro Ministro não se preocupou em atacar os  credores de Portugal mas sim em atacar outros portugueses, os portugueses gastadores em geral e em particular os autores do  Manifesto dos 70.

É também reveladora desta atitude do nosso Primeiro ministro o que ele disse sobre o fundo de resgate da dívida, uma ideia embrionária sugerida pelos «sábios» economistas alemães. Alguns federalistas defendem que esse fundo reembolse a dívida acima dos 60% autorizados pelo Tratado Orçamental  e a nós, cidadãos de um país de baixo rendimento por habitante e muito endividado, interessa-nos que o novo mecanismo financeiro,  a existir, redistribua rendimentos do credores ricos para os devedores menos abonados, isto é que mutualize a dívida. Qual foi a preocupação do Dr. Coelho sobre o dito fundo? «Não é para que os países mais endividados possam ter mais dívida, é para que a possam reduzir mais depressa». O Economista Português supunha que o fundo nos interessava para inverter a queda do nosso PIB e para criar novas condições de crescimento económico mas afinal ele serve para dar satisfação ao matamata do Dr. Coelho: pagar aos credores, reduzir a dívida, sejam quais forem as condições financeiras e os efeitos económico-sociais.

Sobre a mutualização da dívida,  o nosso primeiro ministro sentenciou: «é uma conceção infantil». Nem a Srª Merkel tem chutzpah para dizer este género de frases ofensivas sobre os seus «parceiros do sul». Entre atacar os portugueses, que defendem a mutualização da dívida,  e defender os portugueses das exigências dos seus credores, qual é a escolha do Dr. Passos Coelho? O Economista Português pede ao leitor que forme a sua opinião.

SangriaA política financeira do Dr. Coelho

Refém de economistas mortos e falhados, o Sr. Primeiro Ministro pensa por certo que, sangrando-nos, está a dar-nos saúde. Mas não está; está apenas a desmoralizar-nos e a propagandear as posições deflacionistas e suicidárias dos nossos principais credores.

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