Entrámos no período de Caça aos Gambuzinos

PaisagemPaisagem tranquilizante observada pelo eleitor-caçador de gambozinos

Ontem, nas jornadas parlamentares do PSD, em Viseu, o Dr. Luís Montenegro, um homem sensato, anunciou «medidas transversais» a favor da natalidade. Estas medidas transversais são exatamente o oposto das políticas de austeridade seguidas até hoje – e que terão que continuar, como o governo anunciou antes de começar o período eleitoral. Alguém acreditará nesta extraordinária promessa demográfica? O Dr. Passos Coelho  e o seu governo não cumpriu nenhuma das suas anunciadas medidas de proteção à família – e não cumpriu por custarem caro às empresas e ao fisco, só criando valor acrescentado quando os neobebés começam a trabalhar; isto é: daqui a mais de 18 anos. Daqui a 18 anos virá o Dr. Coelho aconselhar os prometidos neonatos a emigrar para que a natalidade redunde em total prejuízo económico?  Parece ser mais sensato o diagnóstico do competentíssimo Prof. Jaquim de Azevedo, assente na realidade de a média de filhos por casal desceu a fasquia de 1,5: «O País não tem qualquer hipótese de subsistência». Azevedo coordenou um grupo que estudou demografia para o PSD.

O Dr. Montenegro jurou também que não haverá cortes de salários e pensões em 2015, depois de o Dr. Coelho ter anunciado mais cortes de salários e pensões para 2014 e de ter prometido que os salários portugueses nunca mais serão o que foram. Montenegro explicou uma das razões da sua promessa: «vêm aí medidas para tornar o Estado mais eficiente, para pôr o Estado a gastar menos». Serão as medidas prometidas pelo Dr. Passos Coelho para ganhar as legislativas de 2011, quando garantiu  que limitaria os cortes orçamentais  às «gorduras do Estado»? Alguém acreditará na nova promessa? Melhor dito: em 2015 haverá eleições e convirá ao PSD adiar cortes para 2016, se puder.

O começo da campanha eleitoral não passa o teste da credibilidade nem o teste da realidade económico-financeira. Não há no nosso discurso político dominante uma ideia para produzir riqueza, nem para nos reposicionarmos num mundo cada vez mais perigoso. O discurso inicial do Dr. Francisco de Assis, o cabeça de lista socialista às eleições europeias, excluíu a hipótese de reivindicar seja o que for aos regentes do semiprotetorado.  Aliás, das bandas do PS também ainda não apareceu uma proposta produtiva. As primeiras promessas eleitorais são inverosímeis. Os políticos tratam o eleitor como se ele fosse um caçador de gambuzinos: mandam-no sentar, pegar na espingarda, olhar a paisagem e esperar que passe o gambuzino, esse animal quimérico. Como os eleitores são os mesmos de 2011, o mais certo é alinharem de novo na caça ao gambuzino e desperdiçarem as balas na escuridão da noite.

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