A Fantasia europeísta da União Bancária: Pilar 2

UniãoBancáriaA troco de federalizar o autoapoio dos bancos daqui a oito anos, a Alemanha ganhou o direito de nos fiscalizar ainda mais, desde já. Daqui a oito anos? Onde estaremos nós daqui a oito anos? Que será da Alemanha daqui a oito anos? Aliás, mesmo hoje a Alemanha parece pouco interessada na dita União: o Sr. Schäuble parece remetê-las para as as segundas prioridades, em declarações ontem prestadas.

Fez hoje oito dias, houve acordo sobre um dos três pilares da chamada união bancária da União Europeia: haverá um fundo de resgate para bancos em dificuldades, pago inteiramente com contribuições dos próprios bancos, que entrará em ação sem o consentimento das autoridades nacionais e valerá 55 biliões de euros; a Srª Merkel cedeu em pormenores: o processo durará oito anos e não dez, haverá alguma mutualização dos fundos privados (40% no primeiro ano, 60% no segundo e 70% no terceiro).

Em Espanha, grande motor da proposta, houve pouco contentamento com o acordo sobre o pilar 2. Em Portugal a alegria foi grande pelo feito, interpretado como uma vitória federalista e mutualizadora. A realidade é diferente. O acordo satisfaz inteiramente as condições alemãs: não há dinheiro do contribuinte , a dimensão  é reduzida, o funcionamento retardado.

O valor de 55 biliões de euros roça o insignificante: a Espanha até hoje já gastou mais do que isso só com os seus bancos. O Economista Português anota que o Dr. Seguro qualificou a verba de reduzida.Se esta verba for insuficiente, resta o dinheiro nacional, a contar para o défice público nos limites do Tratado Orçamental, pois a Alemanha vetou empréstimos europeus para esse efeito, já que exigiriam dinheiro dos contribuintes – isto é: implicariam a mutualização do risco.

Passou assim a haver acordo sobre dois dos três pilares da união bancária: além deste mecanismo dito único de resolução, uma autoridade única de supervisão, o Banco Central Europeu; falta o acordo sobre a garantia federal dos depósitos bancários, que Berlim também recusa.

Uma perspetiva espanhola em http://www.elconfidencial.com/economia/2014-03-21/derrota-de-espana-en-el-fondo-de-rescate-pequeno-privado-y-sin-derecho-a-veto_105030/

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