O Sr. Schäuble deu-nos ontem Doutrina nova >>> Berlim prepara-se para a crise da França

MarineLePenUm espetro aterroriza a Alemanha (ver foto do espetro acima)

O Sr Wolfgang Schäuble,  ministro das Finanças da Alemanha semi imperial, propôs ontem o reforço da Eurozona, a ter lugar logo a seguir às eleições europeias: um parlamento próprio, um chefe próprio (a substituir o presidente temporário do Eurogrupo), uma política financeira e económica comum, tudo isto antes da União Bancária que a Alemanha quer com o entusiasmo que leva a truta a saborear o isco. A este propósito, Schäuble não hesita em aventar a reforma dos tratados, que equivaleria por certo à paralisia da União europeia.

Porquê este  sprint para o «federalismo assimétrico», típico do II Reich? Porque o Sr. Schäuble teme acima de tudo a crise da França e, à Bismarck moderno, munido do consentimento dos Estados Unidos, prepara-se para domesticar o país da Revolução: a vitória da Srª Le Pen na primeira volta das municipais francesas não é uma «evolução positiva», disse ele. A França é o doente europeu. A sua crise tem duas vertentes: económica e política. Económica: o desemprego subiu, o pacto social não funciona, os mercados começam a desconfiar. Política: a Srª Marine Le Pen avançou na primeira volta das eleições municipais, domingo passado, apesar ou por causa do labéu de extrema direita, e mais avançará nas europeias. Ora sem França não há Euro. Sem Euro haverá Alemanha? A crise do Euro está a chegar onde faz dói dói. Por isso, Berlim começou ontem as grandes manobras para o pós crise francesa. Berlim tem insistido  no reforço da austeridade gauleza – a receita que tão bons resultados tem produzido na Grécia e no nosso país; o Presidente Hollande relutante embora já começou aplicá-la. O que verosimilmente dará uma vitória eleitoral à Srª Le Pen nas próximas legislativas. Talvez seja o começo da crise terminal do Euro. Talvez o SPD persuada a velha comunista Merkel a regressar à luta de massas que com tanto êxito aplicou na velha República de Pankow, também conhecida por República Democrática Alemã (política monetária menos restritiva do Banco Central Europeu, acompanhada de federalismo tipo II Reich). Neste caso, o futuro abriria mais chavetas ao presente. O que o Dr. Passos Coelho e o Dr. Seguro terão que estudar!!!!

Em tempo: Se o reforço semi imperial da Eurozona se concretizar, será boa ocasião para pedirmos a Berlim que nela nos substitua pela Ucrânia e nós vamos trabalhar.

 

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