O Dr. Constâncio é apenas incompetente ou integra a Rede dos Favores?  

VítorConstâncioIncompetente como governador do Banco de Portugal e competente na troca de favores?

Numa entrevista publicada sábado passado, o Dr. Durão Barroso disse que, sendo primeiro ministro, chamara três vezes o Dr. Vítor Constâncio sobre o caso do BPN e que o então governador do Banco de Portugal não se desincumbira. O Dr. Constâncio respondeu que não se recordava de ter sido chamado «exclusivamente» sobre o BPN, que o Dr. Barroso não lhe tinha comunicado factos «concretos» sobre o BPN (nem o Dr. Barroso nem ninguém) e que só pudera inquirir o dito BPN  quando recebeu «uma carta anónima».

Este episódio é extraordinário:

  • O antigo primeiro ministro pressupõe que cumpriu o seu dever sobre o BPN pela simples, ainda que repetida  e repetidamente inútil, convocação do governador do Banco de Portugal, já então consabidamente incapaz de fiscalizar fosse o que fosse; mas, mesmo que a independência do Banco de Portugal não autorizasse o Primeiro Ministro a praticar nenhum ato próprio para esclarecer o caso BPN – o que aliás custa a acreditar – , porque não trouxe o Dr. Barroso o caso à opinião pública à época em que que ele se desenrolava? Se apelar à opinião pública abalava a confiança (o que é duvidoso, Lisboa fervilhava de boatos sobre o BPN), porque não originou uma  nova legislação que lhe permitisse fiscalizar o BPN? Na ausência de explicações convincentes, estamos autorizados a pensar que Barroso convocou Constâncio para mais tarde poder dizer que convocara e não para inquirir o BPN;
  • O Dr. Constâncio não percebe que as suas justificações o incriminam: era ele quem fiscalizava o BPN e por isso era ele quem devia descobrir os factos «concretos», já que a vox populi  era toda pela fraude BPN; desresponsabilizar-se porque o Dr. Barroso não o teria convocado «exclusivamente» sobre o BPN só não é uma desculpa de gargalhada porque a inação do Dr. Constâncio continua a custar muito caro aos portugueses; o pretexto da carta anónima é de adolescente: o Dr. Constâncio revelará para a semana que ele próprio a escreveu para evitar ser incomodado pelo Dr. Barroso «exclusivamente» sobre o BPN? Ou terá sido o Dr. Barroso, para conseguir que a fiscalização avançasse? O Dr Constâncio disse que desmentia e não desmentiu – por isso se engana ao dar o caso por encerrado;
  • Ao apresentar a fiscalização dc caso BPN como da exclusiva responsabilidade do Dr. Constâncio, escapa-nos o essencial pois, posta assim a questão teremos que averiguar se  o Dr. Constâncio foi um fiscal preguiçoso ou incompetente; todos sabemos que foi; o que ignoramos é porque, sendo assim, foi premiado e promovido ao ser nomeado administrador do Banco Central Europeu? A sua inação foi incompetência ou foi um ato de competência escondida, um do ut des? Dito com mais clareza: o que não sabemos é se a inação do Dr. Constâncio integrou a rede de troca de favores.
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