Salário mínimo em 491 euros?

SalárioMínimoPortugal2014

O Dr. Passos Coelho mudou de posição e passou a admitir o aumento do salário mínimo em sede de concertação social. O Dr. António José Seguro insta-o ao aumento imediato. Esta medida oscila entre o inadequado e o prejudicial.

O aumento do salário mínimo será reduzido, se seguir o crescimento da produtividade, medido pela variação do PIB: 5,25 euros, ficando aquele salário em 490,82 euros. O aumento teria a vantagem social de traduzir o reconhecimento pelo esforço dos assalariados do setor privado, mas haveria outras maneiras de expressar esse reconhecimento e não é certo que um aumento tão reduzido não defaude numerosas expetativas.

Acrescentemos que o aumento do salário mínimo dentro da norma PIB de produtividade provocará falências, e portanto desemprego, nos ramos de atividade cujo crescimento seja inferior a essa norma. Também por isso, O Economista Português prefere negociações coletivas de trabalho mais eficientes e autênticas, pois são mais flexíveis.

A questão essencial, porém, é outra: aumentar o salário mínimo é redistribuir um produto que ainda não foi criado. Isto é: queremos repetir todos os erros do passado, pois preparamo-nos para consumir o que não produzimos. Com efeito, queremos aumentar já com base em previsões de crescimento do PIB, as quais se confirmarão ou não.

Fala-se em valores mais altos do que os 491 euros: 515, por exemplo, e uma manifestação patrocinada pela CGTP reivindicou este valor. Seria um aumento sem qualquer relação com a produtividade média e portanto ainda mais gravoso para os supostos beneficiários.

Tal como no passado, é o Estado quem nos incentiva no mau caminho, pois o aumento do  salário mínimo é por ele imposto: torna mais rígidos os preços dos fatores de produção para conseguir uma redistribuição do rendimento e uma transferência de recursos da investimento para o consumo. E é o Estado quem promove o fartote pois ninguém se ilude sobre a sua influência determinante na chamada Concertação Social.

Horas depois de o Dr. Passos Coelho, qual sátrapa oriental, ter prometido o aumento do salário mínimo, um ras do seu partido, o Dr. Marco António Costa, apareceu nas televisões a declarar que o PSD queria, não apenas o aumento do salário mínimo, mas sim uma política de preços e rendimentos,  em que estes variariam de acordo com a produtividade. Todos sabemos que estamos no período de caça ao gambozino: o Dr. Coelho caça o caçador de gambozinos assalariado do privado (pois quer atirá-lo contra o funcionário público) e o Dr. Costa, Marco António, caça o caçador racional de gambuzino, que sabe o que é a produtividade mas pertence a uma espécie incomparavelmente menos numerosa. Seja como for, é uma atençãozinha do Dr. Costa. Por seu lado, o Dr. Seguro aparentemente não oferece nenhum isco ao caçador racional de gambozinos.

Em resumo: os que se gabam de terem resolvido a crise portuguesa insistem em repetir as causas que lhe atribuem.

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