Austeridade portuguesa: Grandeza e Servidão, passando pelo pós Troika e Arrabaldes

PassosCoelhoAusteridadeNuseAgachadosVivemos hoje o momento de grandeza da austeridade: as previsões anunciam crescimento económico e os juros da dívida estão em valores reduzidos.

Mas esta grandeza é também a servidão da austeridade: as pensões começaram ontem a ser pagas com os cortes, o crescimento do PIB é irrisório,  as empresas portuguesas continuam entre as mais endividadas, os bancos portugueses continuam entre os que têm uma maior proporção de dívidas incobráveis, antes de 2019 não conseguiremos cumprir o Tratado Orçamental, somos dos poucos países sem condições para aliviar a austeridade da troika– afirma o Fiscal Monitor, do Fundo Monetário Internacional (FMI), e não o Velho do Restelo um incorrigível realista que escreve ocasionalmente n’ O Economista Português. Queira ler a frase chave, assinalada a amarelo:FiscalMonitor2014aprilA vitória da austeridade, que o governo anunciará dentro de dias, é pirrónica.

O Dr. Passos Coelho canta vitória e encena uma consulta sobre o pós troika como se tivesse margem de manobra económico-financeira. O Dr. Seguro credibiliza-lhe o triunfo ao lamuriar-lhe todos os dias o favorzinho de convocar o Conselho de Concertação Social para começar a distribuição das prendas às clientelas sociais. Passado o atual período de caça aos gambuzinos, o Dr. Passos Coelho voltará à realidade: mais austeridade. Embora depois venha a tentar escapar-se para a fantasia no período de caça aos gambozinos de 2015. Talvez até antes: por fantasioso que seja o Documento de Estratégia  Orçamental, não poderá contar com a completa complacência do FMI e por isso terá que começar a anunciar já algumas das futuras más notícias, a tempo portanto  de afetar as eleições legislativas.

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Para ler o Fiscal Monitor acima citado, vá a

http://www.imf.org/external/pubs/ft/fm/2014/01/pdf/fm1401.pdf

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