Euro: a França começa a defender-se da Alemanha

BanqueDeFranceDesenha-se em França uma nova consciência política que a taxa de câmbio do Euro apenas é adequada à Alemanha. Christian Noyer, governador do Banco de França, afirmou ontem: o euro está «anormalmente forte». Ontem também, o Eurointelligence escrevia, que «o euroceticismo renasce no seio da UMP», o maior partido da oposição, cortando com a política do Merkozy, a simbiose entre a Chancelarina Merkel e o Presidente Sarkozy, que este pagou com a derrota eleitortal. Xavier Bertrand deu uma entrevista contra o «casal franco-alemão» que impede o Banco Central Europeu de adotar uma política favorável ao crescimento e ao emprego. Laurent Wauquiez defende uma Europa a seis. Nas sondagens, o Front National está à frente da UMP, não por ser de «extrema-direita», mas sim por defender ou parecer defender os interesses franceses. Philipe Villin, um conhecido banqueiro de negócios, declar ontém também:  «o Euro serve unicamente os interesses da Alemanha e está votado à desaparição». E, o que é mais significativo, Les Echos, o respeitado jornal financeiro parisiense, dá-lhe relevo. Nesta linha, Le Figaro, o conhecido diário parisiense, destacava ontem a explicação de Charles Wyplosz, o economista helvético, sobre o modo como o Banco Central Europeu baixartá o câmbio do Euro.

Mais relevante é o Primeiro Ministro francês, Sr. Valls, ter declarado que o seu país respeitará a meta para o défice acordadas com Bruxelas (3% do PIB no final de 2015), quando nenhum observador qualificado acredita em tal cumprimento. Com esta fantasia, o Sr. Valls minora a austeridade e defende os interesses do seu país. E a Comissão de Bruxelas assobia para o lado. Pelo nosso lado, a Srª Ministra das Finanças, parafraseando o mestre Schäuble, afirma não ver risco de deflação – o que significa apoiar o câmbio alto da divisa germano-europeia, apoio que contraria os nossos interesses como país devedor e como país exportador. Os nossos governantes continuam a falar como se fossem … alemães. Se não fosse triste, era cómico.

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