Novas Cenas da Caça aos Gambuzinos: o Dr. Coelho perde o Gosto pelo Sangue e prepara Impostos «Morangos com Açúcar»

Morangos com AçucarContinua a caça aos gambuzinos. O Sr. Primeiro Ministro perdeu o gosto por aumentar a felicidade dos portugueses pondo-os no desemprego, mandando-os emigrar, cortando-lhes os vencimentos ou aumentando-lhes os impostos e recorre agora a medidas mais tradicionais de caça ao gambuzino e menos sanguinolentas: o corte no défice em 2014 é inferior ao previsto em dezembro do ano passado,  baixando de 1,2% do PIB para 0,8%, baixa que será paga pela menor despesa com o subsídio de desemprego; em 2015, ano de gambuzino de escabeche, o corte será financiado pela redução das célebres «gorduras» do Estado. O Dr. Coelho ganhou as eleições  de 2011 prometendo-nos a salvação à custa destas gorduras e, dado o que se seguiu, a nova promessa suscita as maiores dúvidas.

Apesar desta reconversão nos métodos tradicionais da caça ao gambuzino, o Dr. Coelho mantém o clima da Alice no País das Maravilhas somítica com a verdade. Vejamos alguns exemplos. Em Valpaços, há escassos dias, o Dr. Coelho prometeu não tocar em impostas, salários ou pensões». Ontem, numa entrevista televisiva, declarou que as pensões obedecerão à demografia e à variação da produtividade – o que significa diminuí-las. Ontem, a Srª Ministra das Finanças admitiu que houvesse aumento de contribuições obrigatórias para o Estado (quem falou em impostos?) e já se fala em nova tributação sobre bebidas alcoólicas, tabaco, bebidas açucaradas e produtos com excesso de sal. Será a vaga de impostos Morangos com Açúcar. Só falta uma taxa sobre a coca.

Neste clima de fantasia pós moderna, o mais extraordinário é a seguinte notícia oficiosa ontem publicada: «em vez de 4% do produto interno bruto (PIB), Pedro Passos Coelho aponta agora para um défice de 1,9% este ano [2014], indicam números enviados pela Comissão Europeia ao Parlamento português». Exceto se houvesse um inesperado e forte crescimento económico, aquela redução exigiria um aumento brutal da austeridade – exatamente o contrário do que o Dr. Coelho tem prometido, como vimos acima. Mas ainda não acabaram as maravilhas.

Aclamação de D. João VI no rio

  • O leitor reparou que sabemos do futuro dos nossos impostos graças a «números enviados pela Comissão Europeia». Estes  números tinham-lhe sido enviados pelo governo do Dr. Coelho, que não nos disse água-vai. Nem a nós, nem ao Parlamento. É a Comissão bruxelina que informa oa nossa Assembleia da Repúblicam sobre como deve votar os nossos impostos. Portugal passou de semiprotetorado a proterorado bruxelino-teutónico: o governo negoceia os nossos impostos com a Comissão de Bruxelas e não é o Parlamento que os vota. O PS não protestou, certamente por lhe parecer normal esse procedimento. Na Monarquia tradicional, as Cortes votavam os impostos. Hoje o Parlamento republicano perdeu esses poderes.
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