Ucrânia: Morrer por Kiev?

IuliaTimochenkoIulia Timochenko, o primeiro rosto da política da UE na Ucrânia, prepara-se para voltar aos seus conhecidos negócios

Estados Unidos, União Europeia e Federação Russa  reúnem hoje em Genebra para tentarem um acordo sobre a Ucrânia, que nela também participará, embora esteja desprovida de um governo, seja ele constitucional ou de facto. A tática europeia em relação a este pais é preocupante.

  • Depois da queda do comunismo russo, a Ucrânia não foi aceite na NATO para não ofender a Rússia, o que significava reconhecer-lhe alguma influência nesse país; em 2014 a União Europeia (UE), orquestrada pelo Srª Merkel, quer escorraçar a Rússia da Ucrânia. Que explica a mudança?
  • Que explica que a UE tenha passado da negociação com a Rússia às ameaças? Será que a UE quer integrar a Ucrânia a troco de uma guerra fria (ou quente) com a Rússia? Quais são as forças europeias que defendem esta linha? As liberdades e os direitos humanos na Rússia serão estimulados por uma nova Guerra Fria? e na própria UE?
  • A mamã da UE  fez Portugal esperar dez anos e a filhinha UE em poucas semanas assinou um contrato prématrimonial com a Ucrânia. Porquê a diferença?
  • Reconhecendo um governo saído de um golpe de Estado, como o que derrubou o Presidente Yanukovitch, a UE apela ao golpe de Estado: a Mafia deve estar atenta e em brece porá camponeses sicilianos a invadirem o Quirinal e a nomearem um Presidente italiano à maneira – que Bruxelas, forte do exemplo ucraniano, terá que aceitar. Que explica a irresponsabilidade da UE?
  • Afirmando querer a paz, o Sr. Schäuble, membro do governo alemão, comparou o Sr. Putin ao Sr. Hitler. Que explica esta irresponsabilidade?
  • Ontem o «governo» de Kiev enviou carros de combate para as zonas orientais da Ucrânia para submeter os que estão a agir do mesmo modo que ele usou para subir ao poder em Kiev: queria a guerra civil. Pelo menos quem viu a France 24 percebeu que as populações ucranianas deram a volta aos blindados, um pouco à maneira do 25 de abril, e por isso dormimos em paz a noite passada. O «governo» de Kiev quer a guerra civil e não consegue começá-la. Porque motivo apoiamos esse «governo»?
  • Que explica a intoxicação dos mass media ocidentais sobre a Ucrânia, semelhante à que precedeu a invasão do Iraque? A nova guerra já foi decidida?

Todos supomos que a Ucrânia não sairá da guerra do Solnado para passar à guerra do soldado. Mas a guerra bufa pode descambar. Os extremistas de ambos os campos nem sempre são dirigíveis. A possibilidade de erros de cálculo é gigantesca. Em julho de 1914, ninguém acreditava aliás que a Europa entraria em guerra no mês seguinte.

A tática russa na Ucrânia é clara: obrigar à federalização, para ter uma voz nos destinos desse país,  e, não a conseguindo, ir estabelecendo poderes de facto na sua parte oriental, a mais rica,mais  industrializada e mais pró-russa. Que fará a UE? Ou sairá ridicularizada ou inicia uma guerra civil – não só na Ucrânia mas na Europa. O Economista Português não acredita que a UE negoceia de boa-fé hoje, em Genebra. Nem acredita que Moscovo renuncia a um objetivo estratégico que, até há pouco, lhe era era reconhecido pela UE e pelos Estados Unidos. E espera pelas surpresas que o conhecido humor russo não deixará de nos proporcionar.

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