O Capital de Picketti: uma Teoria incongruente

PickettyThomas                                     Thomas Pickety, um economista francês, tem conduzido uma inovadora pesquisa empírica sobre a distribuição de rendimentos, que conclui pelo aumento crescente da desigualdade, pelo menos nos países ricos. Essa pesquisa empírica é muito louvável; já parece errada a teoria que Pickety sobre ela elabora.

Essa teoria consiste em afirmar que os salário crescem sempre menos do que os lucros. Para ele, os salários aumentam ao mesmo ritmo da economia (que designaremos por PIB); hoje em dia crescem 2-3% ao ano, ao passo que o capital tende a render 4-% ao ano. Esta tese é no fundo uma variante da teoria marxista da pauperização relativa da classe operária.

Pickerty ExigeSalário NegtivosPara vermos que a teoria é falsa, basta elaborarmos um modelo simples em que a soma dos salários e dos lucros é igual ao PIB. No período inicial, aqueles  e estes têm cada um metade do PIB e crescem nos valores médios sugeridos por Pickety (2,5% os salários, e 4,5% os lucros). Os resultados estão sintetizados no gráfico acima. Ao fim de 37 períodos de análise, os salários tornam-se negativos, o que constitui uma impossibilidade lógica, pois significa que os assalariados morreriam de fome ou pagariam para trabalhar e neste caso não seriam assalariados. Como os lucros crescem mais do que os salários e estes são pagos depois daqueles, é inevitável que os salários sejam eliminados da partilha do bolo (Pickerty evita este absurdo pois soma o crescimento dos salários com o dos lucros, o que aliás viola os coeficientes por si propostos). Aquela conclusão é válida para outras distribuições de rendimento inicial e outras taxas de variação; ambas afetariam apenas o número de períodos após os quais chegamos a uma conclusão que viola o princípio do não contraditório – mas não afetariam a natureza desta conclusão.

O erro da teoria de Pickety decorre de considerar que salários, rendimentos e economia (o PIB) variam independentemente uns dos outros. Eles estão porém correlacionados de modo íntimo e variam na dependência uns dos outros. Dito de outro modo: a teoria do rendimento de Pickety esquece a noção de circuito económico.

A pauperização relativa dos assalariados ocorrerá em certas fases mas viola as regras da lógica que seja uma realidade permanente da vida económica.  Mas, atenção, a pauperização relativa é suscetível de caraterizar rendimentos crescentes dos assalariados. O Economista Português assinala que os erros desta teoria do rendimento não tiram mérito ao estudo empírico de Thomas Picketty.

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