Regressa o Esquema financeiro Sócrates/Merkel ?

MerkelSócratesCoelho/Merkel = Sócrates/Merkel?

Portugal lança hoje o primeiro empréstimo público a dez anos e não sindicado, isto é, que não é tomado previamente por um sindicato bancário; a venda direta ao mercado é mais vantajosa pois poupa ao Estado as comissões dos bancos tomadores; já é sabido que a operação será um êxito ou pelo menos não correrá mal. Ela marca uma vitória da política financeira da troika. O Economista Português qualifica-a de pirrónica, pois não conseguimos o mix de crescimento económico e de superávide primário que garantem a sustentatibilidade da dívida – mas não deixa de ser uma vitória.

Essa vitória pirrónica é devida essencialmente ao Sr. Mario Draghi, governador do Banco Central Europeu (BCE), com o seu célebre «pago tudo», e há dias, com a  garantia que, em caso de «saída limpa»,  continuava a aceitar a dívida pública portuguesa como garantia (colateral, no anglicismo frequente), mesmo estando ela ornada com a classificação de lixo dada  pela maioria das agências de rating, satisfazendo-se a classificação dada por uma delas, que lhe atribui o investment grade.

Significa isto que está em vias de reconstituição o esquema financeiro dos governos do Engº Sócrates e que, aliás, vinha desde o lançamento de uma moeda chamada Euro: a Alemanha negava-se expressamente  a garantir as dívidas dos países periféricos mas ao mesmo dava-lhes uma garantia implícita, que explicava as baixas taxas de juro então cobradas a economias tão coxas como a portuguesa: os europeus credores estimulavam à socapa o despesismo dos pobres devedores periféricos. É o que está a acontecer hoje, facilitado pela grande liquidez que vagueia pelo mundo. Há nisto o tradicional problema do «risco moral»: uns gastam (os partidos políticos portugueses), outros pagam (os credores). Parece ser este raciocínio que perturba o Fundo Monetário Internacional (FMI) sobre a 11ª avaliação. Será que a época de caça aos gambuzinos, que se arrastará pelos próximos doze meses, implicará uma nova vaga de laxismo financeiro português estimulado pela Alemanha?

Anúncios

Os comentários estão fechados.