Caso Alstom: Paris balança entre Washington e Berlim

AlstomA Alstom, uma empresa francesa de equipamentos de energia e de transportes, precisa de se mais liquidez. As conversações com a Siemens, a sua concorrente alemã,  falharam em fevereiro.

GeneralElectricA semana passada, a General Electric (GE), um conglomerado industrial dos Estados Unidos, chegou a acordo com a Alstom para lhe comprar a sua divisão de equipamento de energia por cerca de dez biliões de dólares em dinheiro. Des biliões de dólares é dinheiro.

O Sr. Arnaud Montebourg, ministro francês da Economia, resolveu parar o negócio, o que, estando em casa a energia e para mais a nuclear, não é uma originalidade gaulesa. Originalidade será o não se saber se o ministro se opõe apenas por não ter recebido informação prévia do negócio  ou por alguma razão substancial: prefere a Alemanha aos Estados Unidos? quer mais dinheiro da GE? SiemensSeja como for, Montebourg levou a Siemens a apresentar um projeto de proposta à Alstom: fica com  a divisão de energia da Alsthom e dá-lhe em troca a sua secção ferroviária (locomotivas e combóio de alta velocidade, mas não o lucrativo negócios das carruagens para o metro), além de algum dinheiro a pronto, em quantidade desconhecida, mas por certo bem abaixo das necessidades da Alstom e da oferta da GE. A Siemens justifica o seu projeto: é a criação de dois gigantes europeus à escala mundial, um nos transportes, outro na energia.  Em termos macroeconómicos, o projeto da Siemens  é criticável por ser mais um passo na cartelização do mercado europeu de equipamentos de energia e de transportes.

O negócio GE-Alsthom deveria ter sido fechado ontem, anunciaramos interessados. Mas Montebourg conseguiu adiá-lo. Ontem em comunicado a Alsthom prometeu o desfecho para depois de amanhã. Se este prazo for respeitado, a Siemens será preterida, pois não terá tempo de passar o seu projeto a proposta. Montebourg ficará ofendido com o fecho já na quarta-feira ou declarará vitória e baterá em retirada?  Hoje, o Presidente François Hollande recebe o presidente da GE. A França está a preparar um bom negócio ou uma nova fase da sua submissão à Alemanha?

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Sobre o texto acima, O Economista Português recebeu o seguinte lúcido comentário de um leitor :

Mas apenas para lhe recordar que, a Comunidade Europeia do Carvão e do Aço (CECA) nos anos 1950  mais não foi do que a formalização dos cartéis que existiam antes da Segunda Guerra Mundial.
Hitler, nesta versão da “estória” e da “história” foi um erro de casting de que se arrependeram todos os que o financiaram, a começar pelos membros da parte alemã do cartel.
A nova “Europa” incorpora e estrutura os novos cartéis no seu interior, por isso a “deriva” integradora que se assistiu nos últimos 15 anos.
A “liberdade” de comércio foi a moeda de troca necessária para que os anglo saxões não se importunassem com a cartelização…
Estamos num momento chave: os anglo saxões têm montes de dinheiro para gastar e querem comprar…..
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