O Postiço financeiro do Dr. Coelho é um perigo para nós

PassoscoelhoMáscaraPassos Coelho tira a máscara de vampiro austeritário para regressar ao seu natural bondoso e despesista

No último velório republicano,  dos que ocorrem sexta-feira sim, sexta-feira não no hemiciclo de S. Bento, o  Primeiro Ministro ameaçou aumentar os impostos – desfazendo assim o bonito efeito produzido dias antes com o anúncio da reposição parcialíssima dos vencimentos dos funcionários públicos.

Que levou o Dr. Passos Coelho a desdizer-se prejudicando-se a si próprio? Tendência crónica para não distinguir a fantasia da realidade?  Esta tendência  não é de excluir, mas explica de mais, pois ocasionalmente o Dr. Coelho desrespeita-a e profere a mesma promessa duas vezes de seguida ou alternadamente, em estado de aparente sobriedade tática.

O Dr Passos Coelho desdisse-se sexta-feira passada porque a isso o obrigou a pressão dos nossos credores. O Dr. Coelho mandara apresentar um Documento de Orientação Orçamental 2014-2018, cheio de contas erradas e promessas austeritárias, que os nossos credores interpretaram assim: está a criar compromissos que ultrapassam a legislatura, e por isso nada valem, para não cumprir os compromissos válidos que assumiu.

Todos sentimos que a ortodoxia financeira do Dr. Coelho é um postiço e os nossos credores não são por certo mais tontos do que nós. A ser assim, temos que ter o máximo cuidado: o Dr. Coelho, cuja maioria desfez o ano passado a confiança ganha, é um perigo pois recomeçou a desfazer essa confiança por aparecer como «um grego do ocidente», na feliz expressão de um ilustre economista português, que anónimo continuará: poupou para inglês ver, mente aos credores e voltará logo que possa ao regabofe habitual. Seria difícil acontecer-nos pior. Mas este pior é provável, pois o Dr. Passos Coelho não mostrou sser senhor de fórmula política que exclua o despesismo: por isso, reincidirá..

Será o bloco central a aspirina que cura o eleitoralismo despesista do Dr. Coelho? Com efeito, o Dr. Coelho quer ganhar as eleições de 2015 a gastar o que não é dele e os nossos credores não parecem entusiasmados por essa fórmula política. Talvez por causa dessa falta de enstusiasmo o Dr. Coelho disse sábado passado estar disposto a associar-se ao Dr. Seguro – e o Dr. Seguro disse o simétrico, que está disposto a associar-se ao Dr. Coelho. Como o leitor sabe, O Economista Português suspeita que os nossos credores querem o bloco central, o seguro-coelhismo, não só para o nosso bem mas também para nos cobrarem o que julgam ser deles. Se for assim, os nossos credores correm o sério risco de se enganarem.

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