As Ameaças  da Comissão de Bruxelas bastarão para evitar o «risco moral»?

Charlot no PenhoristaO Economista Português avisou no princípio da semana que os nosso credores desconfiavam da política eleitoralista do governo – e por certo não desconfiam menos daa das oposições. Ontem, aquele aviso era corroborado por uma peça do Jornal de Negócios que citava «fonte oficial» da Comissão Europeia: «Se algo correr mal [na «saída limpa »], acho que podemos diferenciar duas possibilidades. Se Portugal continuar a aplicar medidas saudáveis e algo correr mal no ambiente externo, Portugal tem o direito de pedir uma linha de crédito cautelar.  Mas se algo correr mal internamente e as medidas se tornarem menos saudáveis, teremos uma discussão mais difícil sobre um segundo programa e não seria cautelar». Se Portugal se portar mal, será castigado.

A Comissão de Bruxelas procura inverter o «risco moral»: os governos portugueses, sabendo que têm crédito garantido, tenderão a gastar demais. Para o evitar, a Comissão ameça-nos.

A ameaça será suficiente e será credível?

  • A ameaça será por certo insuficiente porque, para agradar à Comissão, o governo português terá que diminuir, ou manter muito baixo, o crescimento do consumo privado  – e é com a obrigação de reduzir ou manter reduzido o consumo privado que a Comissão o ameaça; assim, prémio e castigo são iguais, só que a ameaça é futura e incerta, e o «bom» mas doloroso caminho é presente e certo.
  • A credibilidade da ameaça dependerá da próxima Comissão e sobretudo a da orientção tática da União Europeia – e já vimos os seus dirigentes com mais fé nas políticas austeritárias. Por outro lado, custa a crer que a França, em crescentes dificuldades económicas e sociais, seja tratada como Portugal ou a Grécia.

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 A peça jornalística citada está disponível em

http://www.jornaldenegocios.pt/economia/ajuda_externa/detalhe/bruxelas_se_saida_limpa_correr_mal_por_causa_do_governo_portugal_nao_podera_pedir_cautelar.html

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