Eletricidade portuguesa: a terceira mais cara da Eurozona

UEEletrticidadeCustoemPPC2014MaioFonte:http://epp.eurostat.ec.europa.eu/cache/ITY_PUBLIC/8-21052014-AP/EN/8-21052014-AP-EN.PDF

O preço da energia elétrica nos lares é em Portugakl o terceiro mais alto da Eurozona, quando medido em paridades do poder de compra (PPC). As PPC eliminam as diferenças de niveis de preços nacionais pois referem-se a um mesmo cabaz de compras e por isso traduzem o nível da vida.

Em euras, os consumidores domésticos portugueses pagam a eletricidade na média da Eurozona, mas acima da média da UE28.

Em ambos os casos, os valores incluem os impostos e taxas. Por isso, não dão para calcular a renda da EDP, mas apenas o sacrifício económico que a aliança Estado+EDP impõe ao consumidor.

Entre o segundo semestre de 2013  e o de 2012, o preço da eletricidade doméstica aumentou  3,3%, menos do que na Eurozona (4,2%) e mais do que na UE28 (2,8%).

O Eurostat não divulga estatísticas sobre o preço da eletricidade vendida às indústrias e comércios.

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6 responses to “Eletricidade portuguesa: a terceira mais cara da Eurozona

  1. Jaime Santos

    O problema desta análise é que o preço da electricidade depende sobretudo de factores que pouco ou nada têm a ver com o preço do factor trabalho, que é aquele que varia bastante dentro da UE e que em larga medida determina as diferenças de poder de compra. O preço do combustível ou da tecnologia, ou de ambos, é o mesmo em toda a UE (sendo a excepção o nuclear francês, mas esse parque já não é tão jovem como isso e terá que começar a ser substituído, o que custará muito dinheiro). A não ser que se deseje regressar à geração a carvão (o que os nossos compromissos europeus não permitem, para bem ou para mal) há que fazer uma de duas coisas: aprender a gastar menos ou pagar e calar (e eventualmente taxar a EDP a jusante quando as suas margens de lucro se revelarem excessivas).

  2. O Economista Português agradece e avança alguns comentários soltos:
    1º O preço do capital na UE varia tanto ou mais do que o do trabalho: uma PME portuguesa paga 9% de taxa de juro e a sua homólioga alemã não chega a pagar 3%; ora a produção de energia é capital intensiva;
    2º a geração a carvão tem vindo a aumentar, pelo menos na Alemanha, para silenciosa arrelia dos ecologistas;
    3º Há diferentes misturas nacionais das várias componente de energia primária, de que o nuclear francês é apenas um exemplo marcante;
    4º Em Portugal, houve um investimento mais forte nas energias não poluentes/renováveis, que são mais caras (embora talvez tenham benefícios futuros) e ignoramos o sobrecusto que por elas pagamos na fatura;
    5º A Ubnião europeia/Eurostat e o INE devia publicar um indice do custo de energia doméstica e industrial sem impostos, pois só esse índice permitiria discernir o que é renda monopolista da produtoras.
    Os quatro primeiros comentários sugerem que a escolha de políticas não é tão limitada quanto o afirmado no comentário.

  3. Jaime Santos

    O meu caro Economista já reparou certamente que o seu primeiro comentário só adiciona ao meu argumento, uma vez que piora a situação das empresas portuguesas que se dedicam à geração e transporte de Energia, mesmo que eu duvide que uma grande empresa como a Endesa ou a EDP pague pelo capital o mesmo que uma PME (embora alguém com o nível de endividamento da EDP merecesse provavelmente pagar mais). Relativamente ao segundo comentário tem razão, os Alemães querem fechar as suas centrais nucleares rapidamente e em força e pagam com isso em poluição e hipocrisia. Devemos fazer como eles? Quanto às diferentes misturas e à questão das renováveis, permita-me que me alongue um pouco. O nuclear não é um opção para Portugal por todas as razões. Por uma questão de segurança, dada a nossa geologia, quer no que diz respeito às centrais em si, quer no que diz respeito aos resíduos, já que a única solução segura é enterrá-los durante centenas de milhares de anos (não é erro) e não existe um único depósito a funcionar a nível mundial (os suecos estão a construir um, creio). As supostas soluções de reactores dedicados que os utilizariam (fast-breeders) são uma treta, trata-se de tecnologia bem antiga que nunca funcionou. Por uma questão política, dado que o processo de consulta e autorização demoraria anos e finalmente por uma questão técnica, dado que a sua construção também leva anos (vide o que aconteceu recentemente na Finlândia). A biomassa também não é opção, já que não existem circuitos de recolha e a biomassa que existe provavelmente não cobriria mais do que uns quantos % das necessidades do País, se fosse possível recolhê-la, claro. E há, claro, a concorrência do estrangeiro, que paga bem por aquela que existe, ameaçando a própria indústria da madeira. O gás já existe e é caro. O ‘shale gas’ seria uma possibilidade, mas é mais poluente que o carvão, dado que o metano libertado na prospecção é muito mais agressivo que o dióxido de carbono, e há ainda os riscos de contaminação de linhas de água (temos que viver neste País) e o risco, não confirmado, de indução de tremores de terra. Portanto a opção é entre as renováveis e o carvão. E note-se que o recurso às renováveis é bem antigo, o Estado Novo optou, e bem, pela geração hídrica em desfavor do nuclear. Finalmente, não podia estar mais de acordo em relação ao seu último comentário. Mas perante as limitações explicitadas acima, julgo que nos resta optar entre pagar mais e, ou aumentar a eficiência do transporte eléctrico e o uso da energia (o que requer investimentos) ou gastar menos (conservar energia). Por muito que eu desgoste de modelos de negócios rentistas, aqui tenho que dar a maior parte da razão ao Sr. Mexia e aos seus Colegas…

  4. O Economista Português agradece o novo comentário e permite-se recordar que o post, que está na sua já remota origem, descrevia uma situação de facto e não visava reformular a política energética portuguesa. Que precisa de reformulação, aliás, pois os partidos de governo formaram um consenso a favor das energias alternativas, demonizando o nuclear. Esse consenso carateriza-se pela ocultação de dados cruciais: é impossível saber o preço comparado da nossa energia sem impostos, é impossível saber com rigor o preço da energia industrial. Ora as energias alternativas são caras e por certo é também por isso que pagamos uma eletricidade cara. Um mix energético com mais hidrocarbonetos geraria por certo energia mais barata – e embaratecer a energia é crucial para vencermos a crise económica, embora ninguém dê conta disso.. Mas o nosso interlocutor prefere uma atitude doutrinária – condenando os alemães por poluirem na sua ânsia de energia barata – à atitude pragmática de fazer contas e estudar todos os caminhos energéticos possíveis. Para as contas da energia, precisamos de saber o custo do capital, pois a produção de energia é capital-intensiva. O nosso interlocutor tem porém carradas de razão ao recomendar aten ção à mais racionalç utilização da energia. Da última vez que O Economista Português calculou o custo marginal em energia do crescimento do PIB português, o resultado foi aterrador: somos dos que mais energia consomem para termoscrescimento económico.

  5. Jaime Santos

    Se bem o entendo, argumenta que o custo do capital é bastante mais baixo relativamente ao carvão do que em relação às renováveis (ou ao gás, cujo preço por kWh é semelhante à geração eólica). Está certo que o carvão tem vantagens económicas em relação ao gás (menor custo do combustível) e em relação às renováveis (alta potência e disponibilidade, em comparação com a baixa intensidade energética e intermitência das energias alternativas). Isto traduz-se em menores custos por unidade energética e menores períodos de carência. Mas o investimento realizado não deixa de ser considerável (caldeiras state-of-the-art, sistemas de limpeza de gases, turbinas, diria que o preço de uma central a carvão com algumas centenas de MW não pode ser menos do que algumas centenas de milhões de euros). Por isso, duvido que o juro varie assim tanto, já que este depende sobretudo de factores exógenos ao investimento, mas talvez tenha melhor informação que eu… Já agora, não considero de todo a utilização de combustíveis fósseis como um anátema, sobretudo se se optar pela co-geração que aumenta a eficiência global da instalação, mas como sabe também esta última é abrangida pela Produção em Regime Especial, não apenas as renováveis… Finalmente, não podia estar mais de acordo consigo quando defende a transparência do sector, mas as limitações técnicas de que falei no post anterior são bem conhecidas e teremos sempre que viver com elas, não adianta abanar as notas e esperar que alguém resolva rapidamente o problema de engenharia, porque de outro modo isso já estaria feito…

  6. O Economista Português agradece o novo e generoso comentário. O Economista Português tinha sugerido que a produção de energia a partir de carvão e, no futuro próximo, a partir de petróleo (depois de começar a jorrar o «shale oil») embaratece em relação às outras fontes, mas nãoo fez contas sobre o investimento em capital: limitou-se a sugerir que talvez valesse a pena sermos capazes de fazer contas sobre o preço da energia (antes de impostos) com um mix diferente do que atualmente está em vigor – e que está ligado aos impostos, ás rendas da energia, aos regimes especiais fixados sabe Deus se por lei se por contrato. Um tema que afugenta os nossos políticos como a cruz espantava o Diabo.. e que deve ser abordado de modo frio a raciobnal, sem demonizar ninguém, nem sequer a EDP.