A «Europa» tal como a conhecíamos >>>>>>>> Começou ontem a deslocar-se

3macacosSábios

A ilustração acima representará a reação do establishment europeu às eleições de ontem? Amanhã veremos

Hoje na Europa é a hora do político. As eleições de ontem para o Parlamento Europeu caraterizaram-se pela derrota da Europa alemã, o federalismo assimétrico coroado pelo Euro e comandado pelos credores do norte europeu. O outro país tutor da União Europeia (UE), a França, tem no seu novo maior partido, o Front National, de Marine Le Pen, um virulento adversário da Europa federal e da Alemanha. Se a França se libertar da tutela germânica, o Euro cairá como o baralho de cartas do burro-em-pé. A Europa alemã foi também derrotada no Reino Unido, no qual o UKIP se tornou o primeiro partido e, tal como o Front National, obteve a sua primeira vitória nacional. A derrota da Europa alemã foi menor em Itália, onde o partido do governo, uma coligação de origem comunista, conseguiu aumentar a sua votação, sem contudo destruir o M5Stelle.

O Economista Português insiste na dimensão internacional pois as televisões de ontem fizeram-nos crer que o resto da Europa se tinha volatilizado – quando a verdade é que Portugal será julgado neste contexto europeu.

A Europa alemã desorganizou os sistemas políticos nacional em numerosos Estados membros – o que é uma derrota sua, pois a Alemanha precisa de governos que ordeiramente lhe cobrem os créditos. Na Bélgica, a Flandres foi tomada por um partido nacionalista, o N-VA. Nos Países Baixos, o Partido da Liberdade, de Geert Wilders, ficou em segundo lugar ex-aequo; é anti imigrantes e anti muçulmano. O Partido Popular dinamarquês, contra os imigrantes, era dado vencedor, com 23% dos votos. Na Áustria, os populares ganharam, mas o FPÖ terá sido o terceiro mais votado, com 19,9% dos votos, contra 12,7% em 2009. Na Grécia, a lista Tsipras, de esquerda, derrotou os conservadores no governo e marginalizou os socialistas do PASOK. Na Polónia, um pequeno partido eurocético, o Congresso da Nova Direita, conseguirá entrar no Parlamento europeu. Mesmo na Alemanha, o AfD, o partido contra o Euro, conseguiu representação parlamentar e roubou uns dois pontos percentuais de votos à CSU do nosso conhecido Sr. Schäuble, o que já causa tensões na coligação. Em Portugal e em Espanha a crise do sistema partidário emerge na erosão das condições de governabilidade: em Espanha, os dois principais partidos somados conseguiram menos de 50% dos votos e em Portugal os três principais em conjunto ficaram abaixo dos 60% dos votos – o que é insuficiente para um bloco central; em ambos os países surgem pequenos partidos anti sistema (MPT-Marinho Pinto,  e Podemos). A situação é deste ponto de vista pior em Portugal, pois os partidos do governo perderam as eleições, no que é uma condenação clara da politica austeritária.

A Europa alemã é assim derrotada pelos votos à direita e à esquerda do seu bloco central (Partido Popular Europeu & Partido Socialista e Democrático Europeu). O establishment político da UE julga resolver o problema político com uma guerra semântica: os vencedores são referidos por palavras pejorativas, como extrema direita, populista, racista, eurocético, nacionalista. Estes partidos são muito heterogéneos; têm um único ponto comum: são contra o federalismo assimétrico alemão.  «Os ganhos dos eurocéticos na Europa dão uma machadada ao projeto de Bruxelas», titula o Financial Times, com realismo britânico. Este realismo virá para o lado de cá da Mancha? Bruxelas-Berlim conseguirão identificar o problema nº 1? O problema nº 1 interno é a falta de esperança económica, acelerada pelo Euro, que acentua o lado centrífugo da UE. O problema nº 1 externo é a incapacidade de estabelecer uma relação pacífica e produtiva em torno do Mediterrâneo e na Europa oriental. Se conseguirem, conseguirão por certo travar o deslocamento europeu. O provável porém é Bruxelas-Berlim não identificarem as causas da vitória eleitoral das forças centrífugas e darem-nos mais do mesmo: uma fuga para a frente, com mais federalismo assimétrico. Hoje será o dia dos balanços. Amanhã, depois de conhecermos a resposta àquela pergunta, será na Europa a hora da economia e das finanças: estaremos então em condições de equacionar os efeitos económicos de curto prazo das eleições de ontem.

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