As Eleições europeias de Domingo não existiram mas …

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Aconteceu o mais provável: o establishment  da União Europeia não reconheceu o resultado das eleições de anteontem para o Parlamento Europeu (PE): as bolsas não desceram, o euro aguentou-se no mercado cambial. O Presidente Hollande falou ontem para afirmar que não mudará a sua política e que espera que a UE deixe aos Estados o que lhe for supérfluo. Os dirigentes europeus permanecem em «negação» do papel do Euro, escreveu ontem Paul Krugman, o Nobel da Economia: para eles, não há crise da UE, há sim um somatório de erros nacionais. Qual será a probabilidade da ocorrência simultânea desses erros nacionais, sem nenhuma influência do Euro? O Economista Português aguarda a publicação dos cálculos que a Comissão Europeia por certo produziu e nos quais se apoiou o Dr. Durão Barroso para defender a tese nefelibata.

A imagem acima sugere que a calma europeia é postiça. O Frankfurter Allgemeine (FAZ ), um diário sério, entretem-se agora a ridicularizar a Srª Le Pen, apresentada no género refugiada de guerra; sem o querer, o FAZ  confessa assim onde lhe dói (e talvez por estar ocupado a denunciar o fascismo da Srª Le Pen nem teve tempo de atualizar o gráfico dos eleitos alemães para o PE, de modo a incluir um moço neonazi, do partido NPD). Claro que o FAZ se engana na propaganda: não pode acusar a Srª Le Pen de ser fascista e apresentá-la como vítima. Também no registo da negação, a Chancelarina Merkel aconselhou os franceses a reabsorverem os votos da Srª Le Pen – ou seja, deu involuntariamente votos futuros à Srª Le Pen, cujo capital eleitoral é atacar a influência alemã em França (queira o leitor não esquecer que a Srª Merkel, na sua anterior incarnação de corresponsável da propaganda da Alemanha comunista, contribuíu poderosa mas involuntariamente para a queda do muro de Berlim).

Há poucos sinais europeus de reconhecimento direto da realidade política europeia. Um federação de empresas britânicas escreveu ao primeiro ministro, David Cameron: ou reforma a UE ou tem que se preparar para a vitória do UKIP.  A maior parte dessas empresas são financiadoras dos tories, o partido do Sr. Cameron. O  governador do Banco Central Europeu (BCE), Sr. Draghi, sugeriu na reunião da Penha Longa estar disposto a combater a deflação para aumentar o crédito às empresas, nomeadamente as portuguesas, que citou entre as principais vítimas da deflação europeia – mas ainda não teve autorização de Berlim para nos ajudar. O Presidente Hollande também supõe que a coisa se resolve com uns pózinhos de crescimento do PIB (pózinhos sempre benvindos, claro).

Sobre a deflação, Portugal incluído, queira ver o post seguinte.

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