Secção de Economia histórica: O que a Economia portuguesa deve (e não deve) a Filipe V de Espanha

FilipeVdeEspanhaFilipe V

A nossa economia deve muito ao Rei Filipe V, um cidadão francês que foi o primeiro Bourbon rei de Espanha (1700-1746). Chegou o dia de assinalarmos essa dívida. Há que reconhecer em primeiro lugar que Filipe V não repescou a ideia do canal Lisboa-Madrid, que aliás já tinha sido recusada por Filipe II, seu antecessor como rei do país vizinhos mas não seu antepassado, pois era um Habsburgo (Áustria, em castelhano). Esse canal teria sido um TGV do século XVIII (um sorvedoiro de fundos públicos, sempre sem passageiros) e felizmente Filipe V soube evitá-lo. O nosso muito obrigado.

Porém, é outra a dívida mais importante da economia portuguesa para com Filipe V:  ele não pensou em retomar a Guerra da Restauração para suceder no trono de Portugal a Filipe III (de Portugal), que tinha o mesmo nome régio mas também não era da família. Apesar de a primeira fase daquela guerra ter acabado poucas décadas antes de Filipe subir ao trono do país vizinho. O que poupámos em impostos e maçadas várias com a ausência de tal medida!!! Ele também ganhou: exerceu o mais longo reinado da história de «nuestros hermanos».

Contudo, a economia portuguesa sofreu duradouramente de um erro, quiçá involuntário, de Filipe V: despachou para Portugal a sua filha Mariana Vitória, já rejeitada no mercado matrimonial francês; era uma jóia de moça, muito hábil na epistolografia familiar, mas revelou-se incapaz de entreter o esposo, o nosso rei D. José. O leitor conhece a sequela desta incapacidade: sempre enfastiado com D. Mariana V., o pobre do D. José viu-se assim forçado a  namorar uma Távora, seguiram-se cenas de ciumeira violenta por razões ainda hoje mal esclarecidas, talvez uma tentativa de o depor como rei de Portugal, veio a autocracia do Marquês de Pombal (encarregado de repor a ferro e fogo a honra perdida da D. Mariana Vitória), seguiram-se aumentos de impostos, trapalhadas avulsas, e etc.

Com o presente post O Economista Português inaugura hoje uma secção de Economia Histórica a que espera ter posto termo hoje mesmo.

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