O Consumo dos Gregos continua superior ao nosso

Consumo individual efetivoFonte:http://epp.eurostat.ec.europa.eu/cache/ITY_PUBLIC/2-18062014-BP/EN/2-18062014-BP-EN.PDF

Em 2013, o consumo individual efetivo (CIE) dos gregos era superior aos dos portugueses, apesar dos efeitos da crise terem atingido o seu máximo na Hélade. Depois de os nossos meios de comunicação social terem lacrimejado tanto sobre as desgraças dos gregos (com o santo propósito de nos consolarem das nossas), este resultado tem que ser tido por surpreendente.

O consumo individual efetivo mede não só o que é comprado e pago pelos indivíduos mas também o que resulta de prestações gratuitas prestadas pelo Estado ou por organizações não governamentais (o serviço nacional de saúde ou o leite do Banco Alimentar contra a Fome).

Esta categoria estatística resulta das recomendações do relatório Stiglitz-Sen-Fitoussi, destinadas a atenuar os efeitos da monetarização  que carateriza o PIB. Os efeitos são pouco nítidos, pelo menos a avaliar pelos dados agora analisados.  Portugal consome 76% da média da UE28 em CIE e 75% em consumo monetário; noutros países, é maior a diferença entre ambas as medidas.

Os dados mostram que na UE28 o nosso consumo individual efetivo só é superior ao de países que pertenceram ao bloco comunista – e mesmo assim não a todos: já fomos ultrapassados pela Lituânia e pela Eslovénia.

O gráfico abaixo lista os países cuja CIE é inferior ao nosso. Grosso modo, esse CIE indica a produtividade e por isso o nível geral de preços. Se quiser sentir-se rico nas férias de verão, vá a um desses países, de preferências os que estão mais à direita: na Croácia, e sobretudo na Roménia ou na Bulgária sentir-se-á mais rico do que um alemão em Portugal. Mas é melhor ir já este ano.

ConsumoPrivadoAbaixodoPortuguêsFonte: gráfico acima e informações no texto.

Os valores do CIE são dados em paridades de poder de compra (PPC), uma moeda fictícia que compra o mesmo cabaz de bens em todos os países.

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