A Câmara de Lisboa deve explicar a dimensão financeira do megapicnic do Continente na Av. da Liberdade

ContinenteMegaPicNicA artéria que a Câmara de  Lisboa escolheu para ser o centro do comércio de luxo em dia consagrado às hortas e às vacas ambulantes sob o heterónomo marqueteiro «megapicnic»

Na Avenida da Liberdade e nos Restauradores só hoje terminará  o condicionamento do trânsito decidido pela Câmara Municipal  para a realização de um evento de promoção do Continente, em particular venda de produtos agrícolas portugueses. O Continente é uma conhecida cadeira de hipermercados. A Câmara condiciou o trânsito para dar maior brilho  a uma ação de promoção comercial, últimamente realizada numa Praça do Comércio em vias de desertificação. O marketing batizou de megapicnic  a ação em causa.

«Av. da Liberdade está transformada numa quinta», escreveu a Visão com involuntário humor. Esta transformação da primeira artéria de Lisboa em quinta do Continente mereceria alguma remuneração. Com efeito, a Câmara lisboeta  cedeu temporariamente a uma empresa privada terrenos e arruamentos do seu domínio público para fins ostensivamente comerciais. É um ato que se presume oneroso. Por isso, e de acordo com as normas em vigor,  a Câmara deve ter fixado e recebido uma taxa por aquela cedência.

Esta taxa deve compensar a Câmara não só pelos transtornos sofridos e pela imobilização do seu domínio mas também pelos prejuízos causados aos munícipes, que foram obrigados a mudar de trajeto, gastando horas, gasolina, etc., para não falar dos comerciantes e moradores afetados,os quais foram atraídos pela Câmara para uma zona de comércio de luxo que subitamente a mesma Câmara transforma em horta e vacaria itinerantes, sem que para tanto eles tenham sido sequer consultados.

Ora O Economista Português não conseguiu descobrir na comunicação social  o que o Município de Lisboa recebeu do Continente como taxa dominial. A agência noticiosa dos motoristas de táxi informa-o que o Continente se comprometeu com a Câmara a reparar os estragos que causaria e seria essa a sua única «taxa». Isto é: não haveria pagamento.

Como se presume onerosa a cedência da Av. da Liberdade para fins publicitários a uma empresa privada, O Economista Português convida a Câmara a defender o seu bom nome, explicando-se: quanto foi taxa dominial do megapicninc? calculada com base em que fundamentos? não houve taxa dominial? Neste último caso, a Câmara de Lisboa deve explicar com muito pormenor e muita clareza a razão porque resolveu oferecer dinheiro ao Continente. Se não der estes esclarecimentos num prazo razoável, a atual Câmara de Lisboa autocondena-se às mais graves suspeitas.

Os comentários estão fechados.