O Conselho Europeu de hoje substituirá a Grâ Bretanha pela Ucrânia?

Euro2012InglaterraUcraniaO Conselho Europeu reúne hoje para aprovar a escolha do seu candidato a presidente da Comissão de Bruxelas.  O nome escolhido deverá ser depois aprovado em voto maioritário pelo Parlamento Europeu. Como o leitor se recorda, os maiores partidos prometeram que apoiariam para aquele cargo o cabeça da lista vencedora das eleições para aquela Parlamento. A lista mais votada foi a do Partido Popular Europeu (PPE), cujo candidato é o Sr. Jean-Claude Juncker, antigo primeiro ministro luxemburguês e presidente do Eurogrupo. A chancelarina Merkel começou por se distanciar de Juncker, por o considerar demasiado independente da Alemanha, mas acabou por ter que o aceitar, em larga medida devido à pressão dos socialistas alemães, que insistiram em respeitar o que consideram ser uma promessa eleitoral.

Não tem pés para andar a teoria da obrigação política de eleger o Sr. Juncker.  O tratado de Lisboa só na propaganda reforçou os poderes do Parlamento Europeu para eleger o presidente da Comissão, pois já antes era exigido o seu consentimento. A propositura  do presidente continua a pertencer ao Conselho de Ministros, que precisamente não deve pautar a sua proposta pelo voto europeu. Acresce ser um logro supor que o PPE ganhou as últimas eleições: foi o partido mais votado mas os vencedores foram os eurocéticos. Ganhou nas urnas o euroceticismo e a resposta intitucional é mais um salto voluntarista na direção do federalismo político. Esse federalismo só posível porque ganhará  o bloco central europeu. No qual, que se saiba, ninguém votou.

Salvo uma reviravolta de última hora, o Sr. Juncker será hoje escolhido, pois os partidos do bloco central estão sobrerrepresentados nos governos sentados à mesa do Conselho Europeu.  Anda há dias, o Presidente Hollande, socialista, convocou uma reunião no eliseu para apoiar o candidato do PPE ao cargo de presidente da Comissão bruxelina – contrastando com o comportamento da França em 2004, quando enfrentou a Alemanha para o preenchimento daquele cargo.

Para nós, é bom. O Luxemburgo é o segundo país mais português da UE e o Sr. Juncker é um conhecido amigo nosso. Marcelo Rebelo de Sousa insistiu nesse aspeto na campanha eleitoral. Mas, se ganhamos com o homem, perdemos no princípio, pois temos vantagem em valorizar a dimensão nacional no Conselho Europeu e só perdemos em aceitar o predomínio dos partidos ditos europeus, nos quais não exercemos a menor influência.

Serão porém negativas as consequências europeias da eventual vitória de Juncker.  A Alemanha faz pressão para abandonar o tradicional método do consenso em benefício do maioritário – o que prejudica países de menor peso demográfico, que assim perdem um veto implícito.  O método maioritário será hoje usado para humilhar a Grâ-Bretanha. Com efeito, o primeiro ministro britânico rejeitou o Sr. Junker, que tem por demasiado federalista, e, talvez ludibriado pela Srª Merkel, faz dessa rejeição casus belli.  Veremos se a Grã-Bretanha é empurrada para sair da UE. O Economista Português não produz futurismo político: limita-se a não fugir da realidade. Com efeito, ainda Há dias, o Sr. Michel Rocard, um esquecido ex primeiro ministro francês, publicou um artigo de jornal convidando o Reino Unido a sair da UE. Outras vozes se pronunciam nesse sentido e com igual insensatez, em França.  Será que o Conselho Europeu, movido pelo célebre eixo franco-alemão, depois de  estimular o golpe de Estado da praça Maidan, quer colocar a Ucrânia em guerra no lugar da Grã Bretanha? Ou em alternativa ao Reino Unido serão oferecidos como compensação escolha de Juncker  postos irrecusáveis de poderosos comissários europeus?

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