Estado da Nação: «Que pensa da Europa?» Ou de como tirar mais Leite à Vaca magra

CashCowQue pensa da Europa? Foi esta a pergunta do Sr. Primeiro Ministro, Dr. Passos Coelho, para arrumar o Chefe da Oposição dinástica, Dr. Seguro. Nunca lhe ocorreria perguntar: «Que pensa de Portugal»?  Tal pergunta instituiria como juiz os cidadãos portugueses. T’arrenego Satanás. A pergunta do Dr. Coelho tem por juiz a Srª Merkel.  O Dr. Seguro também não se lembrou de evocar Portugal e os portugueses.

Esta triste cena ocorreu num debate em S. Bento, intitulado por antífrase «Estado da Nação». Seria mais apropiado que fosse a Nação sem Estado, pois continuamos governados pelos credores e pela União Europeia,  Tratando da desgraça da Nação e do bom estado dos subsídios da Nação aos partidos políticos eleitos e aos municípios ineficientes, o Dr. Coelho, que O Economista Português ontem responsabilizara por querer destruir emprego, foi gentilíssimo, jurou criar emprego – mas esqueceu-se de dizer quando, onde e sobretudo como. O Dr. Seguro balbuciou cinco maneiras de  gastar dinheiro que não tem (aumentar o salário mínimo para aumentar o desemprego, baixar o IVA para 13%, pagar as dívidas do Estado, acabar com a CES, uma contribuição já acabada, aumentar o investimento do Estado, em rotundas, polivalentes, escolas sem alunos, formação de professores sem alunos) e esqueceu-se de mencionar a renegociação da dívida – que prometera há dias para o Conselho de Estado de hoje mas que teria ontem vindo a talhe de foice, pelo menos em registo sistémico. O Economista Português antevê que o Dr. Seguro sairá hoje de Belém dizendo: não estou autorizado a publicitar os conselhos de Estado que dou ao Sr. Presidente da República. Sairá de Belém se lá tiver entrado: o Dr. Seguro talvez hoje ressuscite acélebre  cãibra do Dr. Durão Barroso.

Quanto ao resto, os dois partidos rotativos seguiram com escrúpulo o guião do debate Parlamentar, traçado por Ramalho Ortigão n’ As Farpas: construímos a ponte em Vila Velha, asseverou com convicção o Governo; boa laracha, não há ponte nenhuma em Vila Velha, garantiu com igual empenho a oposição dinástica. Ontem,no debate sobre a Nação sem Estado,  nem o Dr. Coelho nem o Dr. Seguro se lembraram de Portugal e muito menos evocaram aumentar a produção: ambos preferem mungir mais a vaca cada dia mais magra.

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