Renegociação da Dívida: O Dr Passos Coelho recusa-a >>> Prefere não dar Desgostos à Madrinha

MerkelPassosCoelhoTudo menos perder a Madrinha, confidenciou o Dr. Passos Coelho em Arouca (confidenciou por palavras suas, veja abaixo)

Sábado passado, em Arouca, o Sr. Primeiro Ministro opôs-se à renegociação da dívida que, em termos ignorados pelo país, o secretário geral do Partido Socialista levou ao Conselho de Estado da última semana.

O Economista Português reconstituíu a argumentação do Dr. Passos Coelho a partir da leitura da imprensa:

  • Uma razão conjuntural: «a renegociação da dívida é nesta altura uma coisa que não tem razão de ser»;
  • Estamos ricos: « O primeiro-ministro garante que a previsão do Governo não é que a economia vá estagnar e portanto tratou de “afastar totalmente esse pessimismo com que muitas vezes essas questões são colocadas na opinião pública»
  • Fecha o acesso ao mercado financeiro: « Qualquer renegociação de dívida que pudesse ser feita junto desses privados não residentes significaria simplesmente que Portugal deixaria de ter acesso aos mercados»
  • Arruinaria a banca portuguesa: «Se nós quiséssemos renegociar a dívida com os portugueses que detêm essa dívida, simplesmente o nosso sistema financeiro não iria aguentar”, acrescentou ainda»

O Economista Português oferece uns breves comentários que sugerem a falta de razão do chefe do governo:

1)    A razão conjuntural parece contraditória com a nossa riqueza afirmada pelo Sr. Primeiro Ministro: afirmá-la, é admitir a renegociação que é negada na mesma ocasião;

2)    Como é possível falar na nossa riqueza quando o nosso rendimento por habitante continua a rondar os dois terços da média europeia e continua a afastar-se dela? Como é possível falar na nossa riqueza quandos as empresas portuguesas pagam juros pelo menos uns quatro pontos percentuais superiores aos dos nossos concorrentes? Veremos se a nossa suposta riqueza se mantem quando ffor aprovado o novo orlçamento: se somos ricos, o Sr. Primeiro Ministro baixará os impostos e aumentá os vencimentos dos seus funcionários;

3)    A quebra do acesso ao mercado financeiro só teria probabilidades de ocorrer se tomássemos a decisão isolada e unilateral de deixarmos de pagar a dívida; mas nem a D. Catarina Martins defende a solução pressuposta pelo Sr. Primeiro Ministro; se continuássemos a pagaar, mas sob protesto, e procurássemos aliados na Europa e no mundo, colocaríamos os representantes políticos dos nossos credores numa posição moral insustentável e, mais tarde ou mais cedo, algo obteríamos; pagar sob protesto é desconstruir a argumentação dos nossos credores: porque sustentaram eles o Engº Sócrates até à última, enfiando-nos pela goela abaixo empréstimos em violação das regras do Euro? O argumento anterior, exato embora, é costurado à medida do Dr. Coelho, como o leitor notou. Ou, em mais atual: o Fundo de Equilíbrio Financeiro da Eurozona faz negócios à custa do contribuinte português título de solidariedade ou de usura? Agindo assim  o Dr. Coelho perderia a Madrinha e teria que aprender outro número europeu – mais reivindicativo, mais afirmativo, por certo mais na linha do consenso do último Conselho de Estado; em resumo: o Dr. Passos Coelho teria que aprender o argumentário dos países devedores da Eurozona e deixar de debitar como se o credo fossem os arcaísmos económico-financeiros da Bundesbank; O Economista Português reconhece que talvez seja uma tarefa impossível para o Sr. Primeiro Ministro;

4)    A evocação da ameaça de arruinar a banca portuguesa é extraordinária, vindo de quem a prejudica, sugerindo-lhe a compra de uma dívida pública que é lixo; mas o Dr. Passos Coelho, se parar para pensar, logo reconhecerá que o Estado, renegociando a dívida, ficaria com menos despesas e por isso em melhores condições para ajudar a banca, na medida do necessário; aliás, somos dos paises em que a dívida pública é detida em menores proporções por nacionais.

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Declarações do Dr. Passos Coelho:

http://www.noticiasaominuto.com/economia/245050/a-renegociacao-da-divida-nesta-altura-nao-tem-razao-de-ser

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