Pão partido em Pequeninos >>> As Fases do Caso BES >>> Como ganhar $$$ na baixa >>> Concluindo com Perguntas ao sr Governador do BdP

ManuelBernardesPão partido em pequeninos

O Economista Português segue hoje o conselho sempre atual do Pe. Manuel Bernardes e distribui «pão partido em pequeninos» sobre o caso BES.

O primeiro pequenino é compreendermos as relações BES/GES.  O BES financiava o GES, que dava prejuízizo como grupo – mas sem as receitas bancárias, o BES entraria em dificuldades. O governo, escudado nas orientações dadas por Bruxelas, impôs a aplicação simultânea das suas diretivas e de Basileia III que obrigam a maiores ratios de capital próprio e proíbem os bancos de financiarem grupos económicos dos seus acionistas. O BES, e a família Espírito Santo, aceitaram a aplicação de Basileia III que implicava a proibição de o BES financiar o GES. Sem estes financiamentos, o GES entraria em bancarrota e o BES  terá problemas. O mesmo ocorre com a PT: a PT financiou o GES, mais exatamente a Rioforte por acreditar que o BES financiaria o GES.

O segundo pão partido pequenino é a criação de uma situação em que é fácil ganhar dinheiro jogando na baixa do BES. Em geral, quem pensa em especulação, pensa na alta – mas na baixa também se ganha dinheiro: se alguém prometer vender por 35 uma ação, que não tem no momento da venda, e que comprará por 25 quando tiver que concretizar a vender, esse alguém vendeu a descoberto (o short selling) e ganhou bom dinheiro.  Para isso, convém ver a ação do Estado: sabendo das relações BES/GES, qualquer cidadão medianamante dotado previria que o GES entraria em rotura com o fim dos financiamentos tradicionais do BES e que este por seu lado entraria em queda – causando-lhe a perda de receitas substanciais e a diminuição do valor da ação. Por causa de Basileia III, teria que aumentar o capital, o que enfraqueceria o grupo acionista maiorItário – a aliança Espírito Santo-Crédit Agricole, entretanto desfeita. O Estado estimulou campanhas de informação contra o BES – à custa de erros de gestão, reais ou supostos. Estava criada uma situação que estimulava a corrida ao BES e dava lucros pouco arriscados a quem jogasse na baixa. Que fez a Comissão de Mercado de Valore Imobiliários (CMVM)? Proibiu a venda a descoberto – mas só a proibiu depois de já estabelecida a psicose baixista. A opinião pública foi induzida pela opinião publicada a supor que  era a repetição do caso BPN, isto é, o contribuinte teria que meter dinheiro no BES como metera no querido BPN. Passos Coelho-Seguro juraram que não gastariam nos bancos mais dinheiro dos impostos. A ausência de intervenção do Estado impicava ou a falência do BES ou novo aumento de capital. Prevendo o agravar do risco de falência do BES já semi estatizado, O Economista Portugês afirmou ontem que os perús votavam o Natal; com efeito, mesmo partindo do princípio de Passos Coeho-Seguro se borrifam para nós, era hiperidiota supor que nenhum deles quereria ganhar as próximas eleições. Se só um quisesse ganhar, seria não-idiota: desde a adesão ao euro, já dois chefes de governo nos abandonaram sem dizerem água-vai, o Engº Guterres e o Dr. Durão Barroso. Mas, como diria o Amigo Banana depois de estudar cálculo das probabilidades com a Drª Garrido, não foram os dois ao mesmo tempo.

Um breve parêntesis: qualquer intervenção do Estado tinha (terá que) ser em moldes diferentes do BPN,  evidentemente, O Economista Português delineou ontem um tipo de intervenção possível. Há outras.

Para o plano resultar, ou para que a história se desenvolvesse, era necessária a certeza que o BES não faliria, era crucial que alguém garantisse o aumento do capital, necessário para enfrentar o acréscimo de passivos decrrente da falência programada do GES. Foi neste pedacinho que ontem voltou a entrar em cena o Dr. Costa, Carlos, governador do Banco de Portugal (BdP): sob o pretexto de nos tranquilizar, afirmou ontem na TVI saber que há «acionistas» do BES dispostos a capitalizá-lo ainda mais.  O Diário Económico escreve hoje que Vítor Bento, o novo responsável do BES, «tem na mão» uma carta que permitirá evitar o recurso aos fundos públicos: o título fala em «novos acionistas»  mas a suposta operação é tudo menos clara.

A posição do governadort do BdP deverá ser rapidamente clarificada: o regulador bancário, além de vetar administradores do BES, também lhe arranja sócios, procedendo a intermediação financeira informal? A título gratuito, presume-se, Esta angariação está dentro das regras do jogo? Seja como for, o  governador deverá concretizar rapidamente quem são esses investidores – e entretanto as ações do BES continuam suspensas pela CMVM, porque se receia a continuação da psicose baixista.  Qual será a data para a eventual recapitalização? Essa nova recapitalização tem a ver com a cotação bolsista? São perguntas que esperam resposta. tão mais rápida quanto o sr. governador, apesar da consabida independência dos nossos reguladores, agiu a toque da caixa do Prof. Marcelo Rebelo de Sousa, como todos sabemos.

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Em substância, é necessário saber quem é o messias financeiro desconhecido, o que quer e o que dá. Se amanhã não o soubermos, a desconfiança aumentará. Como, a haver descarrilamento, é o Dr. Passos Coelho quem terá que ir a votos, é estranho que seja um funcionário, o Dr. Costa, Carlos, a decidir estes assuntos.

O leitor reparou que a anterior narrativa tem sentido – sem recorrer a crimes nem a grandes erros de gestão. Embora uns e outros tenham, ou possam ter o seu papel na saga. Conhecemos muita intoxicação sobre o caso BES e poucos factos. Haverá, terá havido, uma «deriva» no grupo BES, como escreve Manuel Villaverde Cabral, no blog Observador? Há indícios ou mesmo confissões de erros, alguns aliás de há anos sobejamente conhecidos na praça, mas de deriva, não há. A informação sobre o BES é pouca e a intoxicação é muita (ver abaixo o exame de um caso lindo e fresco de intox). Quando forem conhecidos novos factos, O Economista Português procurará aprofundar a sua interpretação. Para já, como na telenovela, esperemos pelo próximo episódio: o banqueiro desconhecido e bom aparece de rosto descoberto e notas na mão? O Dr. Passos Coelho partiu a tampa da caixa de Pândora no caso BES e O Economista Português suspeita que  não conseguirá recolher os ventos maus que dela se escaparam. Queira Deus que O Economista Português se engane neste particular.

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