O FMI ignora se o nosso «Ajustamento» é sustentável

CSUeProdutividadesFMI2014JulOs custos salariais unitários não baixaram em Portugal, a massa salarial é que diminuíu devido aos despedimentos maciços, revela umas «notas para debate» do Fundo Monetário Internacional (FMI), Adjustment in Euro Area Deficit Countries, ontem divulgada. Queira ver acima o gráfico à esquerda, extraído daquela publicação. A produtividade aumentou portque a queda do produto foi inferior à queda do emprego (gráfico à direita, acima).

O ajustamento é sustentável? As notas parecem inclinar-se para o caráter artificial das medidas de «ajustamento» mas não se pronunciam com clareza sobre se elas foram uma reforma estrutural suficientes ou se são apenas um momento cíclico. As notas referem que a fraqueza da procura dos países superavitarios não ajuda a recuperação dos países da periferia.

Adjustment in Euro Area Deficit Countries não sofre de excesso de capacidade de analítica nem de coragem inteletual. A sua descrição da crise é a ladainha das habituais banalidades de base. Por exemplo: reconhece que a Eurozona começou com «garantias implícitas» de mutualização do risco mas não explica nem como nem porquê os países credores retiraram essas garantias, com as quais nos tinham atraído para o seu empreendimento aventureiro. A falta de coragem manifesta-se na incapacidade de equacionar o problema da paridade do Euro ou de pôr o dedo na ferida: o chamado «ajustamento» é realizado inteiramente à custa dos países devedores, poupando em absoluto os credores.

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Adjustment in Euro Area Deficit Countries: Progress, Challenges, and Policies, por Thierry Tressel, Shengzu Wang, Joong Shik Kang, e Jay Shambaugh, sob a direção de  Jörg Decressin and Petya Koeva Brooks; disponível em

http://www.imf.org/external/pubs/ft/sdn/2014/sdn1407.pdf

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