Guiné Equatorial: O nosso Seguro de Vida em Caso de Implosão da União Europeia

GuinéEqMapaQuem daria que estava aqui a nossa chave para a eventual implosão da União Europeia

A Guiné Equatorial entrou ontem para a Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP), na cimeira realizada em Timor-Leste O nosso país aceitou com relutância a entrada, por aquele país não ser de língua portuguesa (mais de metade da população habla castillano) e desrespeitar direitos humanos, mas em ambos os terrenos obteve algumas garantias. O  Economista Português não se autoriza a comentar questões complexas de política externa, como a de saber a que ponto a nossa diplomacia deve ser condicionada pela defesa dos direitos humanos, mas propõe-se dar duas achegas à questão.

  • Portugal teve que aceitar a adesão daquele país porque os nossos parceiros da CPLP, todos antigas colónias, estavam a favor dela. Perdemos a votação. A alternativa era sairmos. Uma votação assim seria impossível nas «comunidades» que a Grã-Bretanha, a França e a Espanha montaram para enquadrarem as suas antigas colónias. Porque nelas a antiga potência colonial é sempre mais forte do que qualquer dos neo Estados. Comparemos a população das antigas metrópoles com a da maior ex colónia dessas comunidades.  Restrinjamo-nos, por  uma razão de espaço, à CPLP  e à Hispanidad. A população do México é duas vezes e meia a de Espanha, mas o PIB por habitante espanhol em paridades de poder de compra é o dobro do mexicano, o que na prática anula aquela vantagem demográfica; o nosso PIB por habitante é também o dobro do do Brasil, mas como a sua população é 20 vezes superior à nossa, a vantagem económica só reduz em metade a vantagem demográfica brasileira;   a diferença de poderio joga a favor de Espanha e não joga a nosso favor.  Quem diz Espanha, diz Grã-Bretanha o França. Talvez por isso, talvez por razões simbólicas, que não vêm ao  caso, as suas Comundiades vivem em estado de latência, em perda de velocidade. Este voto perdido mostra que a CPLP  goza de vitalidade e de poder de atração – o que, numa organização internacional norte-sul, é raro e nos é benéfico;
  • Se a União Europeia (UE) implodir, o Atlântico Sul é uma zona de comércio livre alternativa que pode permitir-nos sobreviver à terceira tentativa de suicídio europeia. Talvez seja baixa a probabilidade de ocorrência da implosão  – apesas da crise endémicado Euro, da incapacidade de integrar os imigrantes, da guerra com a Rússia – mas, se ocorrer, é de tal modo grave para nós, que precisamos em absoluto de um Plano B: não sobreviveremos numa Europa balcanizada.  O plano B, além de colar cacos europeus remanescentes, terá que ser uma zona sw integração económica nas duas margens do Atlântico sul e médio. A Guiné Equatorial mostra que a hipótese dessa zona é suscetível de ser colocada em cima da mesa, em tempo útil – se não nos distrairmos demais. Mostra-o não pela sua força demográfica (apenas 700 mil habitantes) nem pela sua riqueza petrolífera, considerável como o leitor sabe  (é o terceiro maior exportador de petróleo da África subsaariana). mas pelo sinal que dá ao pedir a adesão à CPLP.

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Informações sobre a Guiné Equatorial em

https://www.cia.gov/library/publications/the-world-factbook/geos/ek.html

(de onde foi tirado o mapa inicial)

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