Hoje conheceremos Mais umas Contas do BES > Seguido de 3 Achegas de Política Económica e de Economia Política

BESOndeEstareiDakiA3AnosE vão dois que não sabem onde estarão daqui a três anos

O BES prometeu para hoje as suas contas no primeiro semestre. Serão as quartas contas do mesmo banco para o mesmo período: o prejuízo mais baixo foi orçado em 1,2 biliões de euros; quando o Banco de Portugal (BdP) insistiu numa almofada financeira de 2 biliões, sugeriu de modo indireto que seria esse o prejuizo a cobrir; o Expresso on line anunciou há dia que o défice seria 3 biliões. Estes desvios não são pequenos: oscilamos entre um mínimo de 0,8% do PIB e um máximo de 1,9%. Há racionalidade económica que os explique?  Será necessário que todos e cada um dos autores daquelas estimativas expliquem os seus critérios contabilíticos – quer os que se enganarem quer os que tenham acertado. O BES deverá também explicar os seus critérios e como se diferencia dos restantes.  Sem isso, não teremos contas: teremos mais umas contas. O que agravará o clima de boataria de que são pálido eco as declarações ontem proferidas pelo Dr. João Semedo, um dos responsáveis do Bloco de Esquerda.

A divergência de critérios contabilísticos corresponde a divergência de interesses e de táticas. Uns quererão dizer já todas as más notícias – e dentro da flexibilidade do avaliador, avolumarão os prejuízos. Outros recearão que toda a verdade crie um clima de pânico e preferirão uma solução de verdade mas gradualista. Se São Bento, o padroeiro da Europa, fosse um guru da gestão, estes últimos evocariam o seu conselho ao prior de um mosteiro corrupto e citá-lo-iam de cor: «pensa que o mosteiro é representado por um caldeirão corroído pela ferrugem mas que ainda vai ao lume. Se, de um momento para o outro, raspares a ferrugem toda, ferrugem que simboliza a corrupção, eliminas essa praga mas ficas sem caldeirão».

Como chegámos a esta anómala cacofonia contabilística?  O Economista Português avança três achegas prelimiinares:

> A ligeireza dos governantes: quando a crise do BES eclodiu, o Dr. Passos Coelho minimizou-a, remetendo a sua solução para o setor privado; o Dr. Seguro tomou posição semelhante (o Dr. António Costa não se pronunciou). Ora em tese foram já desmentidos pelo governador do BdP que, comentando o Expresso on line, expressou a possibilidade de o BES recorrer à linha de capitalização estatal  para a banca. Até hoje, nenhum se deu por achado.   O problema não é pequeno: vimos que talvez chegue a 3% do PIB – e, se não houver capital para pagar esses prejuízos, será esse em princípio o seu efeito no PIB, sem contar com o efeito multiplicador desse défice. A tese do apoio público passará à prática? Queira ler a seguir.

>> Os governantes foram ligeiros porque ignoraram o circuito económico: acreditaram que era possível um BES lucrativo quando o GES, seu financiado, estava em conhecidas dificuldades. Não só acreditaram: tentaram convencer-nos dessa sua crença messiânica. Ora, estando o GES em dificuldades, não pagaria ao BES e este entraria em crise. Contado assim o erro parece infantil. E é infantil.  Mas, na sequência dos economistas clássicos, em particular o fisiocrata Quesnay, J. M. Keynes passou boa parte da sua vida a explicar que a tesourização retira fundos do circuito económico, produzindo assim a crise – e ainda hoje há quem duvide.

>>> Tendo sido ligeiros, os governantes não sabem o que fazer e começam a suspeitar que têm um terramoto debaixo dos pés: o Estado português jogou na baixa das ações do BES. Mas é óbvio que o caso não terá solução antes de se inverter a psicose baixista – pois não haverá solução sem reforço do capital privado e vê-se mal como acorrerá capital privado a um banco em queda bolsista sem fim à vista. Para mudar de atitude o Estado português esperará pela decisão da juiza do Luxemburgo, que a 6 de outubro anunciará se aceita a gestão controlada da Espírito Santo International, da Espírito Santo Financial Group (ESFG) e da Rio Forte Investments?

 

 

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2 responses to “Hoje conheceremos Mais umas Contas do BES > Seguido de 3 Achegas de Política Económica e de Economia Política

  1. Pedro Vasconcelos

    Biliões?!? Não quererá dizer Milhares de Milhões? É que Biliões são Milhões de Milhões…

  2. Obrigado. O Economista Português usou bilião como milhar de millhões. É o uso no Brasil, nos Estados Unidos e em França. Se o assunto o interessar, queira ler
    http://www.ciberduvidas.com/pergunta.php?id=11320