Duas ou três coisas que O Economista Português sabe da Nacionalização do BES

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Novo Banco

Para lá dos Pirinéus, as bolsas cairam devido à guerra pacífica em curso na Ucrânia, devida às boas graças da Srª Merkel, do Sr. Durão Barroso e do Sr. Putin. A periferia da União europeia voltou a cair. A bolsa de valores de Lisboa caíu e o yield da nossa dívida pública a 10 anos aumentou devido sobretudo à solução dada pelo governo ao caso BES. Estes sinais sugerem que os mercados financeiros estão a reconsiderar, depois de segunda feira terem aceitado bem a solução do governo para o caso . O New York Times, o diário da elite dos Estados Unidos (pelo menos na costa leste), responsabilizou o governo português (e a troika) pela situação criada – o que é de mau agoiro para o Dr. Passos Coelho (e por causa dele para todos nós). O Economista Português propõe-se analisar alguns aspetos daquela operação.

  • O prazo de 2 anos, antecipado para seis meses, é um tiro dado pelo governo no seu próprio pé: mesmo o patetinha da aldeia sabe que o vendedor beneficia quando é ele a escolher o prazo de venda e se prejudica quando tem que vender dentro de um prazo determinado; se o vendedor se vincula unilateralmente a um prazo, está a condenar-se a vender mal; ora foi esta a tática do governo em relação ao Banco Bom: atar-se de pés e mãos. Qual a razão de semelhante erro? Os tutores bruxelinos do governo não lhe deram um prazo maior? O  governo quer vender depressa, por causa das eleições legislativas e de tudo o que elas implicam? A situação do governo empurra-o a um mau negócio;
  • O contribuinte corre risco, ao contrário da mantra governamental: conforme afirmou ontem Paul de Grauwe, professor de finanças na Universidade de Lovaina, o Tesouro português emprestou dinheiro e basta isso para o contribuinte estar a pagar; no futuro, se o Banco Bom for bem vendido, talvez o contribuinte até ganhe – mas de momento perde. O Dr. Costa, António percebeu isso e começou a dizê-lo – começando a falar das finanças públicas em tempo real.
  • Estará o governo em condições de garantir que goza de condições para apoiar outro banco que venha a entrar em crise, após o que prometeu gastar com o BES?

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