Eichengreen, Paniza duvidam que os Europeus resolvam a Dívida com Saldos Primários Orçamentais

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Fonte: Ver link no final do post.

Barry Eichengreen, o reputado economista dos Estados Unidos, e Ugo Panizza, professor de economia internacional em Genebra, interrogaram-se se os grandes saldos orçmentais primários poderia resolver o problema da dívida europeia. Saldos positivos, claro. É este o caminho oficioso recomendado pela Comissão de Bruxelas, pela ortodoxia da Eurozona e pelo Fundo Monetário Internacional (FMI) e que para Portugal, segundo o Fiscal Monitor (2013), se traduz na exigência de um saldo positivo de 5,9% na década 2020-2030. Estamos há três anos em austeridade e ainda não temos um, verdadeiro saldo orçamental primário positivo – e muito menos da dimensão pretendida.

Para responderem à pergunta Eichengreen e Panizza constituíram um universo de 54 economias, tanto emergentes como avançadas, e estudaram 235 episódios de cinco anos de duração. Destes, apenas 36, isto é: 15%, conheceram um saldo primário superior a 4% do PIB e durando mais de quatro anos. Ora, para que os países da União Europeia reduzam as suas dívidas ao valor de 60% do PIB, é preciso que durem mais do que quatro anos os elevados saldos orçamentais positivos. Episódios com a duração e o montante que mais se aproximam dos exigidos a Portugal, foram apenas quatro: saldo superior a 5% do PIB, durante oito anos. É o que mostra o gráfico acima.

Por isso Eichengreen e Panizza concluem: «Tudo visto, a análise não nos deixa otimistas que os países europeus sejam capazes de manter saldos primários orçamentais tão grandes e persistentes como é projetado oficialmente».

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O estudo de Eichengreen e Panizza está disponível em

http://www.voxeu.org/article/can-large-primary-surpluses-solve-europe-s-debt-problem

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