A Nacionalização do BES está a custar-nos 10% do PIB

AcréscimoDeRiscosDepoisDaNacionalizaçãodoBes

Notas Fundos: estimativa, estimando que em conjunto têm cerca de metade do Barios Fund (ver texto)

Graças ao advogado Miguel Reis, que foi vasculhar o Registo Comercial, sabemos que o Banco Central Europeu (BCE) exigiu a devolução imediata do que tinha emprestado ao BES, dez mil milhões de euros, depois de o Estado português ter forçado contas muitas negativas daquele banco. O Banco de Portugal tinha tentado ocultar aquela obrigação de devolução, que aliás o  aceitou sem balir – nem ele, nem o Estado português: semiprotetorado é semiproterado.

Os valores no gráfico acima são de natureza diversa e têm vários graus de risco. O que o BCE nos mandou devolver,  não é risco: é certeza, pois são dez mil milhões de crédito a menos à nossa economia. Estes dez mil milhões são prejuízo nacional; o que deles transitará para o défice do Estado, em impostos perdidos e subsídios necessários, é questão a ver. Os valores do BESA, a filial em Angola, são riscos puros: após a nacionalização, o Presidente José Eduardo dos Santos retirou a garantia que tinha dado ao Dr. Ricardo Salgado, pois não tenciona garantir um banco falido ou inexistente (era previsível). Alguns fundos ameaçaram processar o Estado português.  Nestes dois últimos casos, talvez seja possível uma negociação.

Para já, e apenas os valores que estão no gráfico acima, significam prejuízos nacionais no valor superior a 10% do PIB. Este valor é mais de 50% superior à austeridade que nos foi imposta pela troika (embora nem tudo tenha que ser prejuízo, há negociações a conduzir, como acima se referiu).

Aqueles valores são parciais. O Estado português continua a tentar enganar-nos quanto ao efeito nefasto da sua ação nacionalizadora.   Sabemos, por exemplo, que os Petróleos de Venezuela substituíram o BES pelo China Citic Bank. O que significará menor receita do BES ou do Novobanco.  Há outros passivos por certo. Outros acionistas  anunciam que iniciarão ações judiciais para reaverem o seu capital ou parte dele. Esperemos que o Estado contabilize esses riscos, para os quais dispõe dos 3,9 mil milhões anunciados pelo Fundo de Resolução. Estes valores são insuficientes – pois o Estado português deverá cobrir os riscos de Angola, os  1,7 mil milhões de euros de prejuízos do BES no 1º semestre que excedem a célebre almofada financeira de dois mil milhões, parte ou a totalidade  dos 3,5 milhões dos empréstimos recentes à liquidez do BES, e outros, além das eventuais ações judiciais  em que o Estado português seja condenado.

O leitor recorda-se que o Dr. Passos Coelho nos anunciou com alegria a falência do BES: era um problema dos acionistas. O Dr. Seguro saíu tranquilo  da conversa com o Dr. Costa, Carlos sobre o BES e a única preocupação posterior foi… evitar despedimentos no BES, o que é um objetivo meritório mas poucochinho dada a amplitude da crise. O Dr. Costa, António também se desinteressou do problema.  Essa alegria não é compaginável com um buraco económico e financeiro superior a 10% do PIB. Se a gestão empresarial do Dr Ricardo Salgado não é facilmente compreensível, também não menos incompreensível  é que, em véspera de eleições, os Drs Coelho e Seguro enfiaram o gorro da falência do BES.  Seja como for, partiram para férias ou lá se mantiveram. O pessoal político talvez volte de férias para a semana e tente ezplicar-nos como vai ganhar as eleições… perdão: minorar os prejuízos para as finanças e a economia portuguesas.

One response to “A Nacionalização do BES está a custar-nos 10% do PIB

  1. Gostei muito. É aterrador o cenário. Se não se importar vou transcrever para o FB, no meu mural.