Discurso do Pontal nº 2: A propósito do Crédito, o Dr. Coelho censura os Portugueses

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Pawla Kuczynskiego, Pobreza Bomba Relógio

No discurso do Pontal, o Dr. Passos Coelho afirmou: «havia uma economia demasiado dependente do crédito bancário». Vejamos se a crítica tem razãode ser.

O crédito financia o consumo e o investimento. Comecemos pelo consumo. O crédito ao consumo cresceu (férias no Brasil, automóveis de alta cilindrada), dando elevados lucros à banca, sem que desde pelo menos o ano 2000 nenhum governo procurasse dissuadi-lo – por exemplo, criando um imposto sobre ele.

O crédito ao investimento é dirigido aos particulares (habitação própria) e às empresas. O crédito aos particulares foi manipulado pelos governos do PS e do PSD na peugada do Presidente Clinton: serviu para substituir o crescimento da produtividade, que diminuíu ou cessou; graça aos empréstimos, todos os cidadãos se tornariam proprietários de uma habitação própria, fossem pobres ou ricos. Na América, sabe-se onde isso conduziu: à crise do subprime que originou a grande crise de 2008. Em Portugal, também sabemos ao que está a conduzir. Quem é o responsável? O PS e o partido hoje dirigido pelo Dr. Passos Coelho – exceto, em certa meida, quando foi impulsionado pela Drª Manuela Ferreira Leite. É verdade que a extrema esquerda também nunca se queixou do excesso do crédito limitando-se por vezes a denunciar os excessos do crédito.

O crédito às empresas é a única forma que elas têm de se financiar num mrcado competitivo; é o caso das empresas indusrtriais exportadoras e das empresas que vendem no mercvado interno mas não beneficiam de uma posição oligopolista ou monopolista. Com efeito, a concorrência reduz o lucro.

Por isso, o Dr. Passos Coelho errou: os governos do seu partido foram corresponsáveis dos males de que ele acusa os seus cocidadãos no capítulo do recurso ao crédito. Ele próprio não organizou linhas de crédito para as empresas nem pensou em criar uma bolsa de valores para as PME; por isso, devia evitar criticar as empresas portuguesas por recorrerem ao crédito.

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