Aumenta o nosso Défice comercial: o Esgotamento do Modelo da Troika

DéficeComercial2014Fonte: http://epp.eurostat.ec.europa.eu/cache/ITY_PUBLIC/6-18082014-AP/EN/6-18082014-AP-EN.PDF  Notas: A «previsão» para 2014 supõe que se repetirão no resto do ano os ritmos de variação das exportações e importações nos cinco primeiros meses de 2014.

A melhoria da balança de pagamentos portuguesa tem sido uma das coroas de glória do governo do Dr. Passos Coelho. Ainda a semana passada, no Pontal, o chefe do governo voltou a gabar-se: «Temos hoje uma balança externa equilibrada. Temos hoje uma economia com perfil exportador».
A afirmação é aliás inexata: infelizmente continuamos a não ter uma balança externa equilibrada. É certo que o ano passado a balança corrente teve um saldo positivo, o que é excelente, mas a balança de capitais caíu e por isso a nossa balança de pagamentos externos foi negativa. A balança corrente soma a balança comercial (mercadorias), a de serviços (turismo e seguros), os rendimentos e as remessas dos emigrantes. A balança de capitais soma os investimentos diretos (compra de empresas com direito de as administrar), investimentos em carteira (compra de ações ou obrigações para rendimento apenas) e empréstimos.
Se tivéssemos uma economia «com perfil exportador», as exportações teriam aumentado. Ora o Eurostat divulgou há dias os dados sobre o comércio de mercadorias nos primeiros seis meses deste ano e ele mostram as nossas exportações a diminuírem 1%. Veremos se a queda se confirma nos próximos tempos. Desde já, ela parece mostrar que o modelo da troika, aplicado pelo Dr. Passos Coelho, está a esgotar-se: como não melhorámos a oferta de produtos industriais e agrícolas portugueses, não conseguimos aumentar a nossa quota no mercado mundial. Para conseguirmos essa melhoria, temos que mudar de fórmula político-económica.
Por outro lado, as importações aumentaram 2%. Aliás, depois do trambolhão de 2012, já em 2013 tinham começado um percurso ascensional. As importações diminuíram devido à repressão da procura, em particular do consumo interno, e, mal essa repressão económica se atenue, logo retomarão. Já aumentaram devido à decisão do Tribunal Constitucional, evitando a diminuição do vencimento dos funcionários públicos. Se quisermos que o nível de vida português suba, será indispensável que as importações aumentem, pois somos uma economia pequena que só conseguirá satisfazer uma reduzida proporção do aumento do consumo privado. Temos é que aumentar as exportações, para pagarmos o que importamos.
Mais importações e menos exportações significa um aumento do saldo negativo da balança comercial com o exterior. Uma má notícia e um mau sinal. O gráfico acima mostra esse agravamento se durante o resto do ano corrente se mantiverem os ritmos comerciais dos primeiros cinco meses.

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