Quando o Crédito produtivo cai 40%, quanto cai a produção?

BancoDePortugalAs empresas portuguesas morrerão com saúde, anunciou o governador do BdP

Em agosto, os novos empréstimos concedidos às empresas portuguesas totalizaram 2.076 milhões de euros, menos 40% do que um mês antes. O leitor leu bem: menos quarenta por cento. Alguém em seu juizo perfeito acredita que o PIB crescerá 1,5% com uma quebra desta dimensão no crédito produtivo  ?  Em breve teremos dados sobre a variação do crédito às empresas em setembro, mas as previsões não são otimistas. Algumas, poucas, grandes sociedades recorrem ao mercado de capitais, mas as nossas PME não conseguem prescindir do crédito bancário, pois nenhum governo se preocupou em organizar um mercado de capitais ao qual elas acedessem.

Quando estes dados do Banco de Portugal (BdP) foram publicados o respetivo governador, Dr. Carlos Costa, esqueceu as empresas e preocupou-se em defender a sua ação na falência do BES, afirmando que ela era alheia a essa quebra do financiamento das empresas: «O crédito está a sofrer uma quebra não porque não haja financiador, mas porque não há investimento».  O ilustre funcionário público bancário esquece o juro a que o crédito chega às empresas produtoras, claro. Isto é: segundo o responsável do balcão português do Banco Central Europeu (BCE) as empresas portuguesas morrerão (não têm crédito) mas morrerão cheias de saúde (o crédito abunda em Portugal).

Parece óbvio que a conjuntura portuguesa caminha para uma próxima hecatombe. As previsões já começaram a antecipar a desaceleração do crescimento do nosso PIB, mas ao que se sabe os modelos previsionais não medem devidamente o efeito da variação do crédito na variação do PIB.

One response to “Quando o Crédito produtivo cai 40%, quanto cai a produção?

  1. Caro Economista Português, é bom tê-lo de volta!