Vistos de fora, somos «um país mau»

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Martin Gruschka, o fundador de Springwater, afirmou há dias: a queda do GES foi «injusta para o país», e «a comunidade internacional começou a pensar que isto era um país mau, e não é um país mau». Springwater, um fundo helvético, comprou a agência de viagens do GES e possui um grupo empresarial de turismo em Espanha. Aquelas declarações foram publicadas na imprensa portuguesa de 13 deste mês.

Apesar do nosso suposto pessimismo nacional, a frase em causa passou desapercebida. É pena, pois é relevante para o nosso estatuto financeiro internacional. O Sr. Gruschka disse a verdade porque queria ser simpático connosco: desmentindo-a logo de seguida, assumia o papel de nosso defensor.

A nossa fama de «país mau» resulta sobretudo do caso BES. Lá fora, ninguém acredita na versão oficial da falência do BES e por isso nos tomam por «um país mau».   A versão oficial faz parte daquele tipo de mentiras contadas por um certo número de portugueses –  mentiras que  só pelos próprios são levadas a sério. Tipo: «cheguei atrasado porque a tia Elvira adoeceu gravemente». É a chamada «história portuguesa», na linguagem dos conhecedores.

O Economista Português  confia na inteligência dos seus leitores e por isso dispensa-se de caraterizar aquele «mau». A nossa imprensa anda agora carregada de peças encomiásticas para o nosso país, do género «a OCDE considera-nos um modelo de país reformista». Talvez considere. Certo é que, sem o dizerem, tratam-nos de «país mau».Vistos de fora, é isso que somos.

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